Os trabalhos por Héracles

A caminhada do Avaí rumo ao acesso começa a assumir contornos dramáticos. Percebe-se, nitidamente, que os jogadores avaianos estão se superando a cada partida. Mas não é apenas aquele sentimento de jogador de futebol, que joga por um objetivo focado, por um título ou uma conquista comum. Há muito mais por trás disso.

Quem acompanhou a campanha de 2008 sabe que ali havia um misto de superação e força naquele elenco. O grupo avaiano daquela época jogava com humildade exatamente por não ser conhecido, era uma grata surpresa, e suas motivações era parecidas com o pobre que se tornou rico pela força do trabalho e da competência. Foi uma conquista apoteótica.

Nesta campanha de 2013, embora também possamos perceber uma boa dose de superação, há também um sentimento de consagração. Muitos destes jogadores estariam em qualquer time de série A neste momento. Tiago, Diego, Alex Lima, Alê, Aelson, Rodrigo Thiesen, Eduardo Costa, Marquinhos, Cléber Santana e Marcio Diogo, além do próprio treinador Hémerson Maria, já andaram por aí. Alguns com mais intensidade, outros já narrados em jogos de grande porte. Junte-se aí o atacante Betinho e temos um elenco que joga em qualquer lugar.

Porém, se no papel o grupo é forte, no campo o time custou a se firmar. As contingências próprias do futebol fizeram o grupo virar time num momento crucial da temporada, mas que, até ali, sofreu as mais diversas críticas que se podia imaginar. Por falta de empenho a grupo de mercenários, de tudo foi dito. E é neste ponto que o atual elenco avaiano, em sua campanha, quer dar respostas, quer dizer que pode, quer calar a indignação com futebol.

Aludir que jogam pelo Zunino é uma bengala existencial, uma mandinga auto-motivacional. Fazemos isso no dia a dia quando queremos superar um desafio cascudo, externar o problema e colocá-lo numa estante, de forma a ser lembrado todo dia. Contudo, isso é etéreo. Podemos correr de 0 a 100 em poucos segundos, mas não cruzar a linha de chegada. Valeu o esforço, foi mostrado que havia possibilidades, mas não chegamos.

Só que, agora, surgiu um fato novo. A linha de chegada é preciso ser superada para fazer jus ao esforço. Não é mais competir, mas vencer.

A lesão de Heracles trouxe, além da superação e da consagração, mais um motivo para o Avaí estar na série A: a glória.

Os antigos guerreiros das lendas mitológicas lutavam por seus ideais para obter o reconhecimento dos deuses, a glorificação, o prestígio máximo. E para isso havia o sacrifício, a imolação de um dos seus para obter o êxito do grupo. O lance que gerou a contusão grave no lateral avaiano pode ser encarado pelo grupo com um sacrifício, o motivo que faltava para não perder mais o objetivo final.

Pode fazer as faixas, este time estará na série A de 2014.

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