Uma Friday muito Black

Eu costumo dizer aqui, nas minhas postagens, e no dia a dia, que time bom é aquele que vence. Time ruim é o que perde. Não há lógica mais certa do que essa.

Lembro muito bem que o time do Flamengo, há quatro meses, rondava a zona de rebaixamento e era um amontoado de cones, pois nem pra time servia. Enquanto isso, o festejado Corinthians do presidente Lula vinha com credencias de papar mais um título nacional. Quem acompanha o futebol poderá me dizer, sem errar, quem é bom e quem é ruim agora, neste exato momento. Tal tese serve para aquele pessoal que adora camisa de marca e jogador da Champions League.

Digo isso tudo exatamente para atestar que no futebol não existem verdades. Podem haver inclinações, é evidente, mas eu contesto as cláusulas pétreas que sempre saem a cada dia.

Hoje, o melhor time de Santa Catarina é alvinegro. Não é a Chapecoense e muito menos o Criciúma, é o Figueirense. E isto é dito pelos próprios avaianos nas redes sociais, nas conversas em bares e nas esquinas.

A uma semana antes do fatídico clássico quem levava público ao estádio éramos nós. Quem levou torcedores para assistir ao treino foram os rapazes e moçoilas da Ressacada. Estávamos no G4 e era só questão de tempo para conquistarmos o acesso. Tinha até jogo definido para isso e até jogador para fazer o gol sacramentador. Noladelá havia uma manifestação de greve por atrasos de salários (e que persistem, é bom dizer!). Torcedores deles iriam convocar público zero até o final da Série B.

Após o terceiro gol no clássico eu e meu amigo Assis dissemos: “acabou!”

Vou fazer chororô por isso? Claro que não. Tenho 52 anos e já vi o suficiente para que mais nada me surpreenda. Mas é claro que algumas coisas vão nos fazendo ter desgosto pelo futebol. Não sou namorado de jogador e nem viúva de treinador e, como diz a minha mãe, eles ganham muito mais do do que eu para se perder os cabelos por isso. Não vou ter um troço por causa disso e nem virar oposição porque não devolveram meu time. Entretanto, há coisas que machucam. Hão um sabor de limão azedo no ar.

O elenco do Avaí, que mediocremente encerra seu ano nesta sexta, era um bom grupo de jogadores e dava esperanças ao torcedor. Eu mesmo, que sou comedido em relação a isso tudo, em certo momento apostei que este grupo de jogadores chegaria ao acesso. Me enganei. Nos enganamos. Eles não quiseram.

Pode-se tentar achar as definições mais elaboradas e as alegações mais estapafúrdias. Pode-se ir atrás das explicações mais alucinantes para tentar entender o que houve. Podemos dizer que foram salários, brigas internas, grupinhos, panelinhas, jogadores sem qualidade, técnico frouxo, o que se achar melhor. Mas, a coisa é simples: eles não quiseram. E quando alguém não quer, não rola.

Por isso, continuo a manter a mesma proposta para se montar um time de futebol para a próxima temporada. Contrate-se um treinador linha dura, que não se intimide por vontades de jogadores marrentos, e se traga jogadores jovens com atitudes maduras, que enfrentem quaisquer dificuldades, qualquer desafio, mesmo os alentados atrasos de salários.

A direção do Avaí terá que gastar um dinheirinho mais alto, porém, é o momento de termos um time, nem que para isso se mande embora com uma mão na frente e outra atrás quem diz ser torcedor dentro de campo.

Gastar para economizar

No começo desta temporada, quando tivemos a confirmação de contar com Marquinhos Santos no time, os olhinhos de muitos torcedores brilharam. Era só contratar mais um meia, que estava assegurada a condução de um bom time de futebol, dizia-se. A montagem do time deveria envolver jogadores sem muita repercussão nacional, mas ainda se poderia contar com a contratação de Eduardo Costa. Ou seja, a formatação do HD avaiano para a temporada seguia a risca os conceitos de ter um time competitivo, de custo razoável e com alguma boa experiência. Contudo, faltou investir num atacante de ponta e foi aí que nossos problemas começaram.

Por outro lado, veio Cléber Santana. A mídia daqui odiou porque seria a consagração de um meio de campo que deu de relho no time pelo qual eles babam. Sugiram, daí, as insinuações de brigas entre os dois e o resto todo mundo já sabe. Porém, se esta configuração surtisse o efeito desejado, tanto eles como torcedores murrinhas teriam que engolir a língua.

Como eu não sou oportunista de comentar resultados, e portanto não estou aqui para execrar tudo após o fracasso da temporada, creio que a fórmula deve ser mantida. Todavia, deve ser mais bem avaliada. Muito bem avaliada. Precisamos ampliar estes investimentos.

O Avaí seguirá fazendo dívidas, sim, senhor. Os românticos que se conformem, mas não somos a Chapecoense. Estamos muito longe de fazer times de jogadores tirados do fundão do Paraná, Mato Grosso ou Rio Grande do Sul. Muito menos manter técnicos brucutus, cujas palavras mais proferidas são “vamos lá” e “pega, pega”. O patamar ao qual o Avaí chegou precisa ser avançado.

No entanto, o que vejo por aí, até da própria diretoria avaiana, é o discurso da poupança de porquinho. Economia de palito ou de papel higiênico. Não devemos é gastar exageradamente, ser perdulários, sair por aí fazendo papagaios nos bancos e depois não tendo como reverter, mas devemos gastar, sim, desde que seja com parcimônia. Não é montar um time de grife, um Barcelona tupiniquim, mas começar a pensar alto. Como as categorias de base, uma poupança sólida se bem investida, ainda está longe de gerar frutos, o negócio é optar pelo outro lado.

Muita gente sem conhecimento gerencial vive apregoando que temos uma dívida monstruosa e que só se acumula. Sim, temos. Ela é grande. E vai crescer, que ninguém tenha dúvida. Times de futebol são diferentes de empresas comuns. Eles vivem de dívidas, pois não há linha de produção. É preciso dizer isso?

No entanto, as dívidas no Avaí são administráveis, como bem disse um dos intelectuais da tal oposição recentemente e que já esteve lá dentro. Ela é definida e direcionada. Dessa forma, é reversível, coisa que não se vê em vários times de ponta do futebol brasileiro.

E uma dívida no futebol se reverte com resultados. Ganhar campeonatos e fazer boas apresentações chama investidores. Agrega expectativas. Traz torcedores. Faz surgir créditos positivos. No futebol, é preferível gastar para obter resultados, do que desembolsar ativos para pagar rescisões de quem não jogou. E é nisso que a administração avaiana tem que direcionar seu foco, na formação de um time forte e que dê resultados.

A conta será salgada, mas as conquistas compensarão. É só esperar.

A marcha da mediocridade

Neste mundo do futebol, onde a razão vai pelo ralo a cada cusparada, respeito é uma moeda de dois reais. Aliás, não se respeita resultado de eleição, quanto mais uma opinião, como é o que se está vendo neste processo recém realizado no Avaí Futebol Clube. A eleição para o Conselho Deliberativo foi há dias, mas tem gente em campanha ativa ainda, inconformado com os resultados e já montando uma administração paralela.

São muito curiosas as reações após as exposições de ideias no dia a dia. Pela internet, então, cuja forma rápida de se interagir impede um raciocínio mais elaborado, imediatamente se formam conceitos muitas vezes equivocados. E aí, as guerras são declaradas. Conceitos sobre reputações e agressividade flutuam ao sabor das marés. Imagine pedir calma e ler de novo. Se a ordem é fazer textos curtos, mandar ler já é ofensivo, ler de novo, então, é uma afronta.

Nesse meio, que é válido até para outras coisas da vida, muito se fala que quem defende um ponto de vista incondicional é fanático. Todavia, o que se denomina fanatismo para alguns, é ponto de vista para outros. O problema destas definições é que ninguém respeita as opiniões. Ou está contra ou a favor, mas raramente se vê coexistência pacífica entre pontos de vistas contrários. Há uma disputa tácita reinante. Parte-se do princípio que o derrotado num debate, ou em qualquer peleja, foi roubado ou lhe passaram a perna, seja em qual circunstância for. E, imediatamente, sobram ofensas, porque ninguém pode se sair vitorioso, era só o que faltava.

A discordância de ideias está levando a intimidações levianas e covardes, com olhares vis e línguas soltas, numa atitude francamente raivosa.

– Você tem que ser favorável a mim, porque se não for, é mais um deles – é a sentença proferida sem nenhum remorso estampado.

Confesso que a minha pilha já estourou dentro do raidinho faz tempo e eu que sempre defendi o debate de ideias já perdi a paciência. Não é do meu feito, mas não tenho mais saco para a mediocridade em voga. Não para ideias discordantes, mas para a falta de compreensão de que o diferente tem os mesmos direitos do igual.

Eu achava, ingenuamente, que poderíamos nos encaminhar para um entendimento, as partes contra e a favor do Zunino num bloco só em prol do clube, que tem dificuldades, mas está claro que as pessoas que se dizem democráticas o fazem da boca pra fora. E tudo é (mal) interpretado de acordo com a vontade do freguês.

Há gente babando pelos teclados, tendo orgasmos de indignação, exasperando-se porque a situação ganhou, insuflando uma vingancinha sem-vergonha, tudo porque suas necessidades de torcedor contra o Zunino não foram atendidas. Tudo porque foram derrotados. Estou, exatamente, analisando esta coisa imbecil que se está criando, e aí eu faço aqui um discurso de mocinho e bandido? Dá licença, mas é muita idiotice!

Estas eleições foram ótimas num sentido: muita máscara caiu e muita cara de pau saiu do armário. Gente que posava de poliana está saindo de sua zona de conforto e mostrando quem realmente é, ou seja, cordialidade zero. E torcemos para o mesmo clube, imagine se fôssemos rivais.

Se alguém pensou num processo para fazer crescer o clube do ponto de vista da interação e do respeito às instituições, esqueça. É bem coisa de arquibancada mesmo, onde o que vale é quem grita mais alto.

A ideia é manter o ódio, que embota o cérebro. Vale até torcer contra, que o clube se estrepe, que vá até a série D, mas a tese contra isso que está aí tem que ser mantida.

Neste show de horrores, se Freud estivesse vivo ficaria rico de tanto paciente a ser tratado. Deosolivreô!

Criciúma 1 x 1 Vitória

Não faltou raça ao time do Criciúma neste jogo, ocorrido no último sábado no Heriberto Hülse. Então chego à conclusão de que o time está no limite !   Era uma partida para matar ! E mais uma vez confirmou-se que a ausência de algumas peças faz com que a equipe perca o poder de fogo e passa a ter muita dificuldade para pontuar e principalmente vencer seus jogos. Mas enfim, ganhou 1 ponto. Este 1 ponto conquistado poderá ser aquele ponto que deixará o Tigre na série A em 2014, ou os 2 pontos perdidos poderão ser aqueles que faltarão para sua permanência.  Continuamos na mesma situação: par ou ímpar ?  Entre o céu e o inferno ! Tudo dependendo das últimas duas rodadas.

Quanto ao jogo, assisti apenas ao primeiro tempo e vi os jogadores brigando por cada bola, vibrando por cada roubada de bola ! Mas isto não foi o suficiente !  Permitiu ao empate.

Agora é contra o São Paulo. Se o São Paulo vencer a Ponte Preta nesta quarta-feira pela Sul Americana, provavelmente vem com o time “reserva”, mas se perder virá com os titulares. Esta informação obtive da imprensa de Criciúma e de uma conversa com um cantor de uma dupla sertaneja de Criciúma que é amigo do atacante Aloísio do São Paulo e lhe passou esta informação. Claro que não temos que nos apoiar a isso. Tem que ganhar !  Mas vindo sem Ganso, Ceni, Aloísio, etc ajuda !  Ou não ?????????

 

Aplausos falsos

Às vezes eu penso que há pessoas que se fazem de idiotas para serem chamadas de queridinhas. Ou de coitadinhas, sei lá. É muito mais bacana manter uma conversa tolinha e sem argumentos plausíveis do que assumir um posicionamento. Já foi dito à exaustão que para arrumar inimigos basta ter opinião. Meus amigos Tarnowsky e Assis já estão provando disso.

Às vezes, em alguns casos, essa opinião deve ser temperada com açúcar, para não causar polêmicas.Talvez seja uma estratégia para querer ficar de bem com todo mundo. No universo de internet, serve para aumentar platéia para quem tem blog, por exemplo.

Pois não é outra a minha compreensão do que leio e ouço por aí a respeito da campanha da Chapecoense, tida como a sensação da temporada no futebol brasileiro. Contudo, ressalto, é a sensação da temporada, onde tudo deu certo.

Tenho amigos em Chapecó e na região do Oeste. É uma região que cresce a olhos vistos. A atividade agropecuária deu uma levantada em todos os sentidos àquelas terras. Há gente muita ordeira, honesta e trabalhadora por lá. A visibilidade, por si só, de tudo por lá, tem crescido muito e justificado essa própria campanha da Chapecoense. Uma coisa veio atrelada a outra.

Assim, é muito simplório atestar que foi por causa da gestão econômica do Verdão do Oeste que ele chegou à série A. Não, é uma conjunção de fatores. O crescimento é agregado à própria condição financeira da região e não é de agora.

Mas também não é de agora que a Chapecoense tem batido na trave por diversas vezes. Há dois anos bateu tanto que foi rebaixada no Estadual e precisou de uma virada de mesa para voltar à elite catarinense. Alguém disse isso? Ninguém diz.

Tem feito times de jogadores achados no laço e que jogam a vida por isso. Tais jogadores não jogariam em Avaí ou Figueirense, muito menos em Criciúma ou Joinville pelo salário que ganham lá. Mas lá eles jogam, porque para alguns deles é a última cartada.

E vou deixar de lado, de propósito, a história do Aloísio.

Não vai aqui nenhum preconceito, demérito ou o que seja, até porque eu torço para que a Chapecoense faça bonito no Brasileirão de 2014 e vença esse ranço de seus habitantes terem que torcer para times gaúchos, pois o seu, durante anos e com a mesma gestão econômica, não passava da segunda fase da Série D.

E que, daqui por diante, quando quisermos jogadores dos times do Oeste, eles realmente joguem futebol e não venham para cá apenas frequentar nossos resorts, bares e balneários.

O problema de nossos comentaristas de futebol é que estão usando a Chapecoense com outra finalidade. A intenção é muito clara. Até outro dia o Verdão era tido como cavalo paraguaio por estes que hoje babam em relação ao seu futebol. Há um ódio encravado por aqui, ódio de perdedores, e tudo o que for bom para levantar a moral dos outros é exacerbado e exaltado com vistas a desmerecer qualquer negócio que se relacione ao Avaí, aliás, diga-se, que se relacione a esta diretoria do Avaí.

Tem gente, realmente, querendo se fazer de queridinho.

Avaí … quase fechado para balanço

Fui questionado pelo André Tarnowsky Filho sobre se eu tivesse que optar em escolher entre a comissão técnica do Avaí e os jogadores medalhões com que eu ficaria. Respondi prontamente: “com nenhum deles“.

Mas esta minha resposta foi de torcedor, desprovida de qualquer razão.

E no futebol há necessidade por parte dos dirigentes de haver razão, (mas não somente ela)!

Assim sendo, é evidente que jogadores com contratos em vigência não devem ser dispensados, sob pena de pagamento de rescisões contratuais. São eles (informação extraída do Blog do Tarnowsky) :

Goleiros: Diego, Vitor e Aleks;
Laterais: Gustavo, Alex Reinaldo e Arlan;
Zagueiro: Egon;
Volantes: Eduardo Costa e Marrone;
Meias: Elivelton, Luciano, Diego Jardel, Marquinhos e Cléber Santana;
Atacantes: Betinho, Beto e Tauã.

Cá entre nós, tem alguns jogadores aí que não podem ou não deveriam vestir a camisa do Avaí ano que vem. Deste modo, cabe à direção de futebol trabalhar para o devido empréstimo destes atletas. Quanto aos demais que permanecerem será necessário que o novo treinador (sim o Avaí não deve permanecer com o HM, as declarações do treinador são neste sentido) injete ânimo extras aos mesmos.

Há também os atletas com contratos a vencer no final deste ano (novamente, informação extraída do Blog do Tarnowsky):

Goleiros: Tiago e Otávio;
Zagueiros: Bruno Maia, Juliano e Alex Lima;
Laterais: Aelson e Vinicius Bovi;
Volantes: Ricardinho, Anderson Uchôa, Alê e Rodrigo Thiesen;
Meia: Higor;
Atacantes: Reis, Márcio Diogo e Roberson.

Confesso que não entenderei se forem renovados os contratos (sejam de empréstimos ou não) de Alê, Aelson, Vinícius Bovi, Alex Lima, Bruno Maia, Roberson e Reis. Mas gostaria que fossem aproveitados o Ricardinho, o Higor e o Márcio Diogo (se este se comprometer com a parte física. Inclui cláusula sobre isto no contrato). Os demais demandariam de uma análise minuciosa sobre carências de posições e perspectivas de novas contratações.

Porém o mais complicado é que antes de tudo isto, três circunstâncias deveriam ocorrer (e não devem acontecer):

1) Resolver pendências salariais (inclusive dos funcionários do clube);

2) Definir o novo treinador. Sendo que em caso de manutenção do gerente de futebol, será necessário um treinador com mais experiência e traquejo. Mas se optar por um novo gerente de futebol com as experiências devidas é possível contratar um treinador inexperiente, porém com potencial;

3)Definir o gerente de futebol. Com todo respeito ao Júlio Rondinelli, e estaríamos o aplaudindo se o Avaí tivesse subindo para a série A (como quase ocorreu), lhe faltou amadurecimento para encarar as dificuldades surgidas (ou escancaradas) neste último mês. Com certeza tais fatos o ajudaram a amadurecer. Mas terá sido o suficiente para a sua permanência?

E que fique claro que amadurecimento não é sinônimo de idade. Mas sim uma capacidade, ou característica, de saber tomar importantes decisões nos momentos que elas precisam ser tomadas.