Os videntes de araque

A Estatística usa um modelo matemático, chamado inferência bayesiana, fundamentado num evento que aconteceu e prognosticando o que poderia ter acontecido, e como tal fator se comporta ao longo do tempo. Há até uma fórmula, conhecida como Teorema de Bayes, que verifica e analisa todas as variáveis num evento e estabelece probabilidades.

É o que fazem os matemáticos, por exemplo, quando analisam chances dos times de futebol em determinadas etapas de um campeonato. Se serão campeões, se obterão um acesso, se serão rebaixados, etc, etc, tudo é analisado. É pura matemática e, portanto, ciência exata, cuja linha de adequação depende de cada rodada. Não é chute, não é adivinhação, é ciência. Se os times vão seguir aquilo, isso é outra conversa, até porque futebol é um jogo de acasos.

Ocorre que, para satisfazer seus patrocinadores e ficar de bem com determinada torcida, muitos futurólogos da mídia tradicional usam os seus atributos emotivo-econômicos e tendências parciais para diagnosticar as carreiras de Avaí e de Figueirense nos campeonatos em que disputam. O Avaí sempre se danando e o Figueirense sempre a caminho do Nirvana, obviamente.

Não existe uma lógica baseada na ciência, só jogo de adivinhações, enigmas e parábolas. Pode-se chamar a isso de parcialidade, bocas alugadas, ou papagaios de pirata. Eu prefiro chamar de cachorrice mesmo. E se o fato apresentado não satisfizer às determinações dos patrocinadores, se o evento não condizer com o que é definido nas redações, que seja manipulada a realidade.

É o caso das ilações pós-jogo aventadas pelos matemáticos de araque nas estações de rádio que acompanharam o último clássico.

Evidentemente, quem assistiu ao jogo viu que pelaram a juba do Leão e arrancaram seus dentes. Ficou descaracterizado. Os go-go boys tocaram o terror na Ressacada. É possível até que as festas e orgias, com alguns jogadores avaianos sendo carregados de botecos sob efeito da manguaça, possam ter influenciado o seu desempenho. E até que a cara amarrada de uns com outros nos vestiários possa ter exacerbado isso. Não sei! A gente sabe que ali não há santos e sabe que estas coisas são comuns no futebol. Mas doladelá também não há virgens e irmãs carmelitas. E enquanto nossos jogadores estavam ganhando e defendendo uma caminhada gloriosa ao G4, nada disso existia? Ora, sequer era mencionado. Nem os aventados atrasos de salário, sempre lembrados em momentos de chororô da torcida, foram colocados em pauta, exceto por um ou outro pateta que gosta de entregar o ouro pro bandido.

Não vou, por isso, cair no lugar comum de terra arrasada e buscar pêlo em casca de ovo. Vejo, isto sim, que este time deveu muito à sua torcida, mas ele pode reverter. Como já reverteu. Como demonstrou poder reverter. E como isso está retratado fielmente na estatística e na posição da tabela. Isso não é chute, invenção, desejo ou texto pago pelo presidente do clube num dos pequenos recantos da Ilha da Magia. É a realidade.

Então, por que se disse que a tabela ficou mais fácil para os moços das cuecas sujas e para o Avaí apresentar-se-á o calvário daqui por diante?

Para nós, três vitórias e um empate, além de uma tabela onde nossos colegas de G4 se matam, nos põem na série A do ano que vem mole, mole. Para eles, cinco vitórias cheias, sem direito a empates, e contando com a ajuda de mais sete adversários os dá a suposta felicidade de contar com o gordo salário da TV na série A, com a dureza de ter que jogar futebol, coisa que só fizeram, no ano todo, neste fatídico clássico.

Claro que precisamos entrar em campo no mesmo dia dos jogos dos adversários, coisa que deixamos de fazer contra Chapecoense, Atlético de Goiás e Figueirense, por exemplo. Aliás, surgiu a informação de que será marcado um novo jogo, porque no clássico de domingo um dos times sentou em campo, o que não é recomendado pelas boas práticas do futebol. É preciso que haja dois times jogando para que se diga que tenha havido uma partida.

No clássico, o Figueirense poderia ter ganhado de 1X0 suado, com o Avaí jogando e sofrendo. Poderia mesmo ser 4X0, mas um jogo disputado. Não foi nada disso.

Por outro lado, mesmo sendo uns nada no clássico, é bom lembrar que já fizemos jogos memoráveis, contra Sport e Bragantino, por exemplo, de arrepiar os cabelinhos da nuca, dignos de merecer uma série A e sentar na janelinha.

Como é possível, então, que algumas pessoas com a latinha na mão ou à frente dos teclados tenham a cara de pau de inverter os papéis?

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