É oposição ou não é?

O ditado “Quem conta um conto aumenta um ponto”, é universalmente conhecido e é similar a “Uma mentira contada mil vezes se torna verdade”. Estas expressões fazem referência à capacidade de se inventar histórias, parábolas e conversas e fazê-las virar um atestado de fé. Se a gente for analisar direitinho, no final das contas alguém poderá querer nos enganar.

Tenho lido algumas notas, revisões e esclarecimentos do grupo que se arvora na possibilidade de assumir o Conselho Deliberativo do Avaí e, por conseguinte, a diretoria executiva, que me fizeram pensar. Em alguns pontos não se assumem oposicionistas e deixam nas entrelinhas que o que querem, mesmo, é melhorar ainda mais a administração do clube. Do ponto de vista prático isso é muito nobre. Saudamos alvíssaras para este gesto singular.

Mas, como assim? Um hora querem melhorar, na outra querem mudar? Afinal, são ou não são de oposição?

Pra começar: o que é oposição? Se formos usar o modo lógico cartesiano de ver as coisas, que é o que todo mundo faz, é tudo aquilo que é contra, vontade contrária, antagonismo. É contestação, é refutação. Ora, se alguém concorre contra alguma coisa é porque essa alguma coisa não anda nada certa. É um fracasso completo, um erro de cabo a rabo. Então, é preciso que se instale algo novo e contrário que corrija o rumo do antigo, que faça completamente diferente, não é verdade? Propor fazer diferente para ficar como está soa estranho, o leitor não concorda?

Trazendo esse exercício de lógica para a vida do Avaí Futebol Clube, eu pergunto: o que é preciso corrigir nas coisas da Ressacada? Tudo? Nada? Meio a meio não dá, porque só quem fica em cima do muro são os pardais, os pica-paus e um ou outro tucano.

Portanto, a chapa que está se montando na Ressacada a disputar postos com a atual administração é de oposição, seguindo estes argumentos. Quer trocar tudo, quer mudar tudo? Que seja sincera e assuma isso. Percebe-se que é composta por pessoas que ao longo dos anos desenvolveu uma raiva da administração Zunino. Com ou sem razões, e não vou fazer juízo de valor, mas é gente que nutria caras feias para todo lado quando se falava em Zunino. É bom que se diga também que alguns nutriram ódio, que é algo mais do campo patológico.

Porque se assim não fossem, se não tivessem desenvolvido esta aversão, estariam juntos a quem administrará daqui por diante. É ou não é? E juntos não querendo fazer diferente, mas apoiando o que tem que continuar a ser feito.

Vejo alguns medinhos de se dizer a verdade. Isso é preocupante! Não há transparência, palavra mais trocada que bom dia, e já começa mal, pois perde coerência.

As pessoas que estão encabeçando essa nova ideia, de novos não têm nada, pois já passaram pelo Avaí em vários momentos, tiveram seu trabalho na construção do clube e agora querem uma outra oportunidade. Mas de fato novo, nada. É como aquele programa Lata Velha: pega-se um carro velho caindo aos pedaços, dá-se uma repaginada, pinta-se, remodela-se e é vendido como novo. Mas, não é novo, só teve uma nova pinturinha. Temos dúvidas se vai andar, se vai seguir em frente, se vai suportar o tranco, se não vai cair uma porta no meio do caminho.

Portanto, alguém seria capaz de trocar o certo pelo duvidoso, de apostar em aventuras, uma vez que pensa em caras novas? Um quem sabe? Pra mudar, pra ver como é que é? Com o Avaí na Série A, com pessoas pensando em fazer diferente, corremos riscos com proposta mirabolantes, é bom pensar nisso.

Ao longo destes últimos anos o Avaí tem chegado, tem ganhado coisas, obtido prêmios de gestão com a administração que está aí. Trocar agora por experimentalismo é carrossel sem volta, roda, roda e não sai do lugar. É complicado para as pretensões avaianas e para o crescimento do que se viu ao longo destes anos. Crescimento, aliás, obtido apesar de todas as dificuldades de clube do porte do nosso, é bom que se diga.

A administração Zunino teve altos e baixos, como é natural em qualquer processo desta natureza. Mas ao se fazer um balanço final, foi das melhores da história desse clube no futebol de Santa Catarina. Tanto é assim que o título de Maior de SC usado por eles mesmos da tal oposição não é de graça. Em 90 anos de história, muito, nestes 12 anos, foi feito em prol deste clube. Quem pensa ao contrário é bom tirar a peneira da frente dos olhos e cuspir o ranço fora.

Agora, se algumas pessoas não tiveram espaço, ou saíram por divergências, foi por um questão de oportunidades. Numa garrafa de um litro cabe, exatamente, um litro.

Por essa razão, não vou pôr fé em quem me vier com o papo ensaboado de melhorar o que já deu certo, para ficar mais forte ainda. O que é que se está dizendo com isso? Então junte-se a quem está no cargo e apresente estes pontos a melhorar, por uma questão de bem comum e senso coletivo.

Se já se admite que houve acertos, e agora só se quer melhorar alguns pontos, então não é oposição. E se não é oposição, então é desnecessário se montar outra chapa, com outras personalidades para se fazer exatamente o que já se faz, com ajustes. É um desgaste desnecessário.

Ou se assume que está tudo errado, ou é melhor ir pra casa descascar batatas.

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4 pensamentos sobre “É oposição ou não é?

  1. Simples, jamais assumirão que está tudo errado, jamais terão um projeto diferente do que se tem hoje, pois o diferente de hoje é voltar ao erro mais criticado, principalmente falando do futebol que é o prato principal. Ou querem que retorne uma empresa ou empresários pra montar nossos times como a LA? Dessa vez pra quem não sabe quem manda no futebol do Avaí é o Avaí e em termos de Brasil estamos fazendo história, pois muitos muitos mesmo quem manda é empresário.
    Mas Aguiar essa oposição na real é igual a oposição no Brasil, fala que esta tudo errado, mas não fala o que vai mudar se ganhar. São uns tolão.

  2. Discordo. Teu raciocínio parte de uma interpretação literal da palavra “oposição” para definir algo muito mais complexo.

    Para se fazer oposição não precisa se achar que está tudo errado. Isso é ser “do contra”, não é oposição.

    Uma oposição pode, sim, querer melhorar os meios para que os resultados sejam ainda mais positivos.

    Um clube de futebol não se resume aos reultados do futebol. Envolve patrimônio, receitas, despesas, investimentos, endividamento, planos de sócios, política de preços de ingressos, relacionamento com o torcedor etc, todas áreas que merecem críticas e/ou elogios independentemente dos resultados dentro de campo, pois refletem a médio e longo prazo.

    Sem entrar no mérito se o movimento atual de oposição é bom ou ruim, já vemos que está dando bons frutos a partir do momento em que a Diretoria admite incorporar no clube parte das propostas e reivindicações da oposição.

    Uma oposição responsável é extremamente sadia para qualquer instituição, pois acrescenta ao invés de querer destruir.

    Eu ficarei preocupado no dia em que aparecer uma oposição no Avaí dizendo que está tudo errado… Aí sim.

    • Concordo com tudo o que você escreveu, Pedro. Foi foi sintético e perfeito. é exatamente isso. Num mundo hipotético e perfeito, é o que queremos e os verdadeiros democratas almejam por tudo isso.
      Só que não.
      Eu conheço muito bem as pessoas que estão por trás desse projeto aí. Tudo o que eu disse é o retrato da realidade. Capice? Lamento.

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