Apesar de vocês, ainda dá

O Avaí joga nesta terça-feira a sua maior decisão de Copa do Mundo neste ano. Embora tenha virado lugar-comum atribuir decisões durante toda a temporada, haja vista a pouca produtividade avaiana até aqui, este é o jogo derradeiro. Sendo derrotado, as fichas se esgotam e o pano se fecha definitivamente. E por que se deixou chegar assim?

No fim de julho deste ano, lá no primeiro turno da série B, eu escrevia neste texto, E vai que dá…, que, após o grupo de jogadores avaianos ter passado pelos perrengues para se acertar em campo, vindo inclusive de uma enquadrada sinistra no aeroporto, se vencesse as partidas que se seguiam e desse de relho no rival no clássico, o grupo iria virar time e seriam chamados de guerreiros. A cornetagem acabaria e todos seguiriam em procissão com os jogadores nos ombros. E foi quase isso que se viu. Faltou apenas sacramentar o grito de guerreiros.

Agora, quando a coisa se reverteu, de guerreiros passaram a de coisas bem piores.

E é assim o futebol. E digo também que o futebol é um poço de hipocrisias.

Certa vez um pensador francês disse que o fanatismo é para a religião o que a hipocrisia é para a virtude. Aliás, o julgamento das ações humanas, por quem tem o pauzinho de galinheiro sujo, é uma daquelas coisas mais hilárias que nos assolam no dia a dia. Se não fosse trágica.

As pessoas que me conhecem sabem que eu defendo os meus. Não meço esforços para quem está próximo a mim. Isso inclui, claro, o meu time de futebol e as pessoas que fazem das tripas, coração, no intuito de mantê-lo vivo, de dirigentes a jogadores.

É muito fácil para quem está numa zona de conforto, do lado de fora, achar todos os defeitos imagináveis, sem mais nenhum compromisso que é o de ver e analisar, bater e tripudiar. Xingar, ofender e destilar impropérios. Tirar fotos desrespeitosas de senhores em momentos íntimos num camarote. Torcer, em contagem regressiva, pela queda de um dirigente. Levantar calúnias ou chamar de mafioso uma ou outra pessoa que nem conhecem. Suspeitar de furto ou falcatruas cometidos por quem dedica sua via em prol do clube.

Quem age dessa forma não tem compromisso nenhum com nada, apenas com suas idiossincrasias, com suas vaidades e com seu ego. Não me venha dizer que é pelo Avaí. É pelo seu egoísmo. E que ninguém venha bater no peito dizendo ser mais avaiano que eu porque sabe xingar, ofender e tripudiar, ou que não tapa o sol com a peneira.

Eu, particularmente, não defendo jogador de futebol por ser amiguinho. Sequer os conheço pessoalmente. Aliás, nem mesmo o presidente Zunino, que muito Zé ruela que mal sabe conjugar um verbo e sem nada nos intestinos para jogar num vaso sanitário se achou no direito de inverter essa relação. Defendo as pessoas que mereçam respeito, qualquer pessoa. Quem sou eu? Alguém que escreve em um blog e tem o direito a uma opinião, como qualquer cidadão e que não é dono da verdade.

Usando esta lógica, os jogadores do atual time do Avaí, todos eles sem distinção, estão devendo algo a mais à nação avaiana. Estão devendo compromisso. A energia que demonstraram na indignação contra os boatos que surgiram sobre suas vidas particulares deveria ter aparecido em campo. Lá atrás, lá no começo do ano, lá quando ainda não havia uma murrinha instalada contra eles. E é lá dentro das quatro linhas que os olhos de raiva tem que ser mostrados. Não posem de freis franciscanos, assim como torcedores arrotando virtudes não tem hombridade para dar de dedo em ninguém.

Todos nós temos as nossas falhas, nossos erros e defeitos e essa hipocrisia generalizada já encheu o saco!

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