Não queiram saber como são feitas as linguiças

Depois de haver sido massacrado no clássico surgiu uma indignação no grupo avaiano que nos deixou atônitos. Afinal, poucas vezes um grupo de jogadores se  reunia para “se vingar” de um vexame. Mas aí surge aquela máxima de “nunca deixar para a amanhã o que se pode fazer hoje”. O grupo do Avaí não se indignou no clássico, mas depois dele. Como se dissesse pra si mesmo.

– Ai, ai, ai, menino bobinho, nunca mais faça isso.

Esse foi o motivo para deixar muitos torcedores com um pé atrás. Num campeonato disputado e com o Avaí vendendo o almoço pra comer o jantar, deixar escapar uma posição mais confortável na tabela e justamente contra o rival é o mesmo que servir de assistente pra atirador cego de facas: alguma coisa vai dar errada.

Mas o assombro foi ficando maior quando aumentaram as suspeitas de isolacionismo desse grupo, de um jogador em relação a outro e deles com a torcida. E também aquela coisa de fazer treinos secretos e fechados pelo treinador não tinha nada de estratégico, era tão-somente para aumentar o status de celebridades desse grupo. Valorizar o trabalho. Aumentar a importância do prato principal escondendo o cardápio. Afinal, criar este clima dava a impressão de que levariam os jogos da série B no tacão das chuteiras. Imagine jogadores tarimbados e rodados, com anos de boleiragem nas costas, se importando com Oestes, Arapiracas, ABCs e Guaratinguetás da vida. Ólhólhó, tás tola, rapariga! Mofas!

O Avaí ia se achando o Garrincha a dar de ombros para os joões do futebol nas terras de Saci e Iemanjá.

Enfrentar Chapecoense, Joinville, Figueirense? Fácil. Somos os mais vezes campeões, de maior torcida, os mais-mais, os caras. Patrola esses aí porque o nosso campeonato é contra Palmeiras e Sport, cujos predicados já nos comparamos. E com Marquinhos e Cléber Santana no meio, então, hãhã, arrisca aí uma faixa da Série B, para aposentar de vez aquela estrelinha da Série C. Junte-se a isso um motivo para “fechar o grupo”, que foram os falsos pactos, cria-se uma imagem de soldados armados amados ou não e temos uma campanha épica.

Você já comeu mingau? Aquele creminho delicioso, quentinho, saboroso, mas que é molinho e não alimenta? Pois é, o grupo do Avaí minguazificou a série B. Comia pelas beiradinhas para depois meter a colher no meio, onde estava o grosso do amido.

Mas quando chegou no ápice, ali onde interessa de verdade um campeonato cascudo como esse, ele disse:

– Ô, mano, cadê meu dindin? Tô fazendo coza e não vem nada?

Então veio um “se fode aí, torcida”, um “importa-me-lá”, um “tô nem aí pras lamurias de vocês”.

Nem as suspeitas de farras nas concentrações, comprováveis ou não, levantaram o sangue desse grupo, que fizesse com que as canelas do pessoal do Ceará terminassem o jogo cheias de vergões.

E aí constatamos uma máxima que vai começar a se firmar: Quanto mais se espera é aí mesmo que o Avaí não faz nada.

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4 pensamentos sobre “Não queiram saber como são feitas as linguiças

  1. Muito boa Aguiar. Vejo que a única saída para eles, jogadores…, acordarem desse sonho dourado, é deixarmos a ressacada vazia no sábado. Ninguém ir assistir o jogo. Quero ver se eles não vão acordar e ganhar o jogo. #ressacadavazia

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