A queda do líder

O Down Hill maluco em que se enfiou o Avaí, nesta série B, é daquelas coisas intragáveis. Claro que torcedores fanáticos que somos, pilotando em vôo cego em meio a turbulências, vamos nos deixando levar, assumindo que a razão deve ir mesmo pro diabo que a carregue.

Não joguei a toalha. Não sou modinha. Não apareço no estádio pra pagar de bacana, quando as nuvens se dissipam ou porque fizeram promoções. Eu sou sócio, contribuo com o clube, me envolvo com o seu dia a dia, me incomodo, me divirto e vou levando ou sendo levado nesta vida bandida que é o futebol.

Mas tem horas que a decepção é grande. Não com resultados, ou mesmo com campanhas ridículas do time. Mas com pessoas. A pior coisa na face da terra é a gente dar guarida para um amigo ou para uma pessoa a qual a gente gosta muito e ele ou ela nos decepcionar. Não que sejamos donos da verdade, ou que temos na perfeição nosso espelho diário. Mas é a coisa da confiança ou do respeito. Ora, convenhamos, a vida é difícil pra todo mundo.

As pessoas que me lêem ou conhecem pessoalmente sabem que nunca fui de paparicar jogador de futebol. São como as linguiças: não queira saber como são feitas.

Tenho uma admiração muito grande por Marquinhos Santos, contudo. Poucas pessoas neste mundo traira do futebol dão tanto a cara pra bater como ele. É de uma personalidade ímpar.

Ora, Marquinhos Santos tinha engasgado uma gosma desde o começo do ano com o Avaí. Revelou-nos isso em entrevista recente. Assumidamente, mesmo fazendo rodeios e contornando o canavial, afirmou que estava sendo prejudicado pelo financeiro do clube. Supostamente os salários dos jogadores estão atrasados.

E no entanto, líder como é, torcedor em campo como sempre foi, visado e olhado por todos toda vida, deixou ou permitiu que tudo chegasse a esse ponto e puxou o último fiozinho da cordinha que amarrava a vaca à beira do brejo.

Não, Marquinhos, o líder é o último a cair. Nas batalhas, é o que toma o último tiro.

Ou a gente diz coisas pra impor respeito na tentativa de mudar o quadro, ou é melhor ficar calado.

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