A necessidade de ser chato

Cada vez mais me certifico que as pessoas estão desesperadas. Não sei se o aquecimento global está derretendo o que resta de alguns neurônios, se a chegada do Papai Noel faz as pessoas perderem a bússola ou é vontade de aparecer mesmo. Confesso que não sei. Mas a coisa está tomando rumos entre a demência e a insanidade, com ares de extremo ridículo e uma nostalgia de um passado onde se fazia contabilidade em papel de pão.

Ué, o sujeito que seria contratado como treinador do Avaí resolveu dar um chapéu no clube? Mostrou que o seu valor financeiro é maior que uma palavra? E pediu o boné antes de vir para cá? Que bom! Nos livramos de uma naba. Seria mais um a se mover pelo dinheiro do que pelo trabalho. Mais um a dizer que não atuaria mais porque o seu carro zero ficou sem gasolina. Como muitos encostados por aqui. Como alguns que se dizem avaianos, mas vivem a olhar o saldo da conta bancária. Pois pelo menos o sujeito mostrou as caras antes de assumir um compromisso.

Mas, então, uma corriola se incomodou, achando que o clube foi o culpado. Pelo contrário, ficou bem claro para quem tem ouvidos para escutar, que o orçamento do clube da Ressacada é curto. Fazer leilão para treinador ou para jogador é que não cabe mais. A fila anda e as coisas se acertam mais tarde.

Mas aí, o leitor já deve saber, há uma patuléia que fica empoleirada no pau de galinheiro só esperando um tijolinho à vista cair.  A choradeira não quer parar. Seria demais pedir paciência, isso é coisa de chapas brancas e bajuladores da diretoria. Porque ser esperto é ser corneteiro, esse é o lema. Bastou um urubu cagar num quero-quero que as cornetagens vêm em ritmo de Velozes e Furiosos. O famoso “EU NÃO DISSE” tá pronto para ser baixado, basta apertar a tecla.

Estava lendo, também, que há gente reclamando do time que o Avaí pretende fazer. Dizem que será um time de jogadores fracos. Mas nem foram contratados ainda e já se decidiu que vamos disputar a série C? E o pior destas alegações é se dizer o ano todo que a Chapecoense é que sabe contratar, que lá eles fazem time barato e competitivo, que eles, sim, é que são eficientes. E aí, quando a direção avaiana diz que fará um time barato e brigador, falta lencinho no mercado. As reclamações e beicinhos aumentam.

Estas pessoas dizem torcer para o Avaí. Não, lamento, mas não torcem. Elas torcem para seus umbigos.

Olha, eu faria uma coisa, sugestão que já havia dado ao ex-presidente Zunino certa vez. Entregava as chaves para essa patuléia e dizia:

– Se virem. Façam melhor. Façam do jeito que quiserem.

Haja o que houver na Ressacada, pintem o estádio de ouro, tragam jogadores da Champions League, ganhem o catarinense, a Copa do Brasil, o acesso à série A e se faça a melhor campanha das últimas temporadas que ainda assim surgirá um infeliz para dizer que aquele tijolinho que caiu é fruto da incapacidade de se consertar as coisas por lá.

Que me desculpem os enxeridos, mas isso não é ser crítico. Aliás, não é nem mesmo ser corneteiro. Isso é ser muito chato.

O, raça!

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