No reino das fadas

O pessoal ligado à tradição teológica recorre a um mito muito difundido da falta de entendimento entres os povos, que é a fábula da Torre de Babel. Contam os livros de mitologia que em tempos remotos se falava uma língua comum e todos se entendiam. Dizia-se que ali havia paz e harmonia. Não se tem noção, ao certo, que tipo de língua era essa, mas se sabe que era uma língua compreensível a todos.

Ocorre que, movidos por ganância e ambição extremadas, segundo a lenda, os povos daquela época resolveram chegar às portas do céu do deus de plantão e ele, ciumento e raivoso como condiz a um deus, decidiu distribuir um idioma para cada um e, a partir daí, estabeleceu-se o caos. O que não se conta é que graças a isso a humanidade se desenvolveu e cada um pensa diferente até hoje, garantindo a criatividade e o senso de perspicácia em resolver os problemas dali em diante.

É na dificuldade, é na crise, é no caos que mais crescemos, pois isso gera oportunidade criativa. Claro, para quem quer crescer.

Ora, num clube de futebol a coisa ocorre mais ou menos dessa maneira. Exceto em alguns clubes do futebol europeu, que se valem de lavagem de dinheiro das máfias do leste do Velho Mundo, da antiga cortina de ferro, para se darem bem na vida, a maioria ao redor do planeta se vira nos trinta como dá. Dizem, os tolos, que é lá, no mundo barcelônico e realmadrilenho que o futebol é organizado. Conversa mole para pôr bovinos no berço. Claro, há quem acredite, mas também ainda há crianças que acreditam em Papai Noel.

E aí, trazendo isso para o nosso cantinho, aqui, juntinho de nossas cabecinhas azuis e brancas lotadas no Sul da Ilha sem água e sem luz, percebemos o quanto ainda temos que crescer nessa nada mole vida que é o futebol. E o quanto já estamos, também, longe do amadorismo completo.

A gestão que se encerrou há poucas semanas no Avaí ampliou as perspectivas de o clube estar no cenário do futebol brasileiro. Com todas as dificuldades que isso acarreta e que cada avaiano conhece (embora alguns façam questão de negar por murrinhas existenciais), executou no braço e na raça a tarefa de nos tirar da inércia do passado. Errou muito porque precisou sair do caos e acertou bastante porque aproveitou as oportunidades. Enquanto nas vizinhanças se obtinha resultados fáceis e semelhantes ao que se faz lá no leste europeu, aqui foi na solução caseira e na legalidade mesmo.

A gestão que toma lugar agora está dando a cara a tapa, levantando cedo e carpindo o morro sob o sol, devendo resolver as muitas arestas que ainda existem com muito suor, mas já sabe qual o caminho trilhado e o que deve fazer para ampliar estas perspectivas geradas. É assim, em cima de crises e dificuldades que se chega a novas possibilidades.

O pensamento de que o mundo é muito bonitinho e fácil de se resolver, com todo mundo se entendendo, eu deixo para aqueles que acreditam em reino de fadas e em mitologias. Prefiro estar ao lado de quem arregaça as mangas e trabalha.

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