Aquilo que nos atrai

Curiosas são as histórias do futebol. O futebol é daquelas manifestações da vida dos humanos onde mais se difundem mentiras que viram verdades, e verdades são encobertas, ou transformadas. E há quem confunda ainda informações de caráter estratégico com informações declaráveis, a tal da confidencialidade que tantos ruminaram a existência.

Dos porões das cabeças de oportunistas surgem coisas as quais, num ambiente comum, poder-se-iam declarar uma guerra mundial, ou quando menos depor um ministro de Estado. No entanto, como é no futebol, desce com a próxima cerveja gelada.

E se o gajo for um blogueiro, acostumado a escrever para a patuléia ignara e acumular uma coluna em jornal famoso, aí, sim, as mentiras deságuam como água de enxurrada, porque ele acha que seu amargor pode tudo. Só que o pudor que diz ter tem o mesmo valor daquilo que deposita num vaso sanitário, sentado.

La Fontaine, Saint Exupéry, os Irmãos Grimm e até Monteiro Lobato se divertiriam diante de tanta criatividade, com tantas mentes férteis, e lamentariam tanto desperdício de adubo para a nossa agricultura.

O Avaí tem problemas, sim, senhor, e problemas sérios. E faz parte de 99,9% dos times brasileiros com problemas sérios. E nem por isso nenhum fechou as portas e muito menos o Avaí as fechará. Não que seja normal, natural e se deve empurrar com a barriga os problemas, pelo contrário. Afinal, estamos falando de algo que faz parte de nossas vidas e os cuidados são óbvios. É que a vida do futebol é essa mesma, lamento.

Marquinhos não está jogando nada, fazendo estágio de pereba e levando o time a ser uma porção de cones malditos? Bom, num outro jogo acabará fazendo o que sabe, levará o time a ser o Avaí que queremos e os humores mudarão.

Se dois ou três clubes do futebol mundial vivem surfando na melhor onda, nadam em águas calmas e limpinhas e comem caviar e arrotam esse mesmo caviar, o restante, os outros, dependendo de seu tamanho e importância vendem o almoço para pagar a janta. O futebol funciona exatamente desse jeito desde que foi criado. O nosso estimado Avaí não seria diferente.

Temos problemas e vamos fazer um esforço medonho para tentar amenizá-los, mas o que fica chato é todo dia se achar um pêlo diferente na casca do ovo e inventando mais tranqueiras para poder dizer que agora não dá mais, agora acabou de vez. Acaba nada, acaba nunca.

Se a Ressacada vai ser loteada, se um dos investidores-parceiros não é flor que se cheire, por outro lado quem sabe dessa vez dê certo. Quem sabe consigamos uma boa recuperação e num futuro próximo não precisemos mais vender a alma, o fígado e o pâncreas para o capetinha? Hein, já pensou outra campanha memorável, aquelas de o pijamento dizer “sou avaiano até morrer”?

Viver cavoucando o chão para achar uma raiz de mandioca nova do problema antigo é que não dá. É muita vontade de ser pessimista. Ou outras coisas inomináveis.

Os negócios ruins atraem negócios ruins e coisa boa atrai aquela enorme vontade de comemorar.

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