Na carranca e na vergonha

Quem chegou agora na Ressacada e não conhece os jogadores do atual elenco, não tem intimidade com a direção, não sabe onde ficam as entradas para o estádio, sequer sabe onde pode estacionar ou muito menos a própria história ou as “estórias” do Leão da Ilha, crava na coluna 1, quando se compara Pingo com os outros treinadores que passaram pelo Sul da Ilha nos últimos meses, no quesito competência.

Diria o recém-chegado, saboreando um pastelzinho de berbigão regado a uma galega suada na Toca do meu amigo Marcos:

– É inegável que este técnico mudou a cara do time de vocês.

Mas quem conhece tudo e todas as histórias, sabe que não foi assim. E quem conhece e sabe das histórias, e diz que foi, ou mente muito ou está de má-fé ou tem outros interesses para que se acredite nisso. Evidente que, também, por um ou outro torcedor mais animado.

É claro que não foi a mão gotejante do treinador. Embora ele se mostre competente, com conhecimento da coisa, seja articulado e bem disposto, não tem sido o principal responsável por esta mudança radical. Ajudou, mas está longe de serem dados a ele os louros por essa glória. Ou alguém está querendo se enganar? Ou nos enganar?

Aviso que as coisas que fizeram isso mudar só iremos saber quando nossos bisnetos nos trouxerem as pantufas e o xarope pra tosse.

Há muito cara-de-pau no Sul da Ilha, essa é a verdade.

Cara-de-pau, para quem não sabe, é um termo usado pelos barqueiros quando punham carrancas sem uma fisionomia definida na proa de suas embarcações, cujo motivo era entrar nos mares e rios com vontade e disposição, enfrentando os perigos e protegendo os navegadores. O significado de “entrar sem ser convidado” foi trazido para o comportamento humano para denominar aqueles descarados, atrevidos e cínicos que conhecemos, os famosos caras-de-pau.

Se o torcedor avaiano lembrar bem (eu falo do torcedor bem intencionado, que quer o bem do clube e não da sua opinião) a mesma disposição tática foi usada por outros treinadores recentemente e o mesmo padrão de jogo já foi jogado. A maioria dos jogadores que está aí joga junto há quase um ano. Aliás, o mesmo carinho, que alegam ter recebido agora os delicados jogadores avaianos, já foi dado à exaustão até pelo seu melhor parceiro, o torcedor.

Portanto, do alto do meu meio século de vida, nenhum cara-de-pau vai me enganar, dizendo que foi o treinador quem mudou, seja torcedor ou jogador.

A coisa é bem pior do que isso e esperamos não ficar reféns mais uma vez. No próximo problema salarial que não me venham perder pênaltis ou fazer de conta que jogam.

Segue o barco com uma carranca na frente, rumo ao acesso e a uma boa campanha na Copa do Brasil.

Mas, antes, uma boa dose de Jimo Cupim não seria um mau negócio.

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2 pensamentos sobre “Na carranca e na vergonha

  1. Comentários lúcidos, irônicos e articulados. Só assim para demostramos com inteligência nossa falta de paciência com tudo que tem ocorrido nesses dois últimos anos na Ressacada. A direção atual e antiga tem sua parcela de culpa em muitas coisas, mas não entra em campo. De forma descarada perdemos partidas em jogadas bisonhas e os caras-de-pau querem passar a imagem de que apenas a culpa era do técnico e do salários atrasados. Vão se catar! Ou vão para o Catar.

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