Conjunto desafinado

Eu sempre digo que num clube de futebol ativo e disputando campeonatos os interesses e responsabilidades se dividem entre três grupos: a administração, incluindo comissão técnica e departamento de futebol, os jogadores num outro ponto e a torcida fechando a tropa.

Os três grupos formando um tripé (dããã!) que sustenta o clube, cada qual com suas responsabilidades, repito, devidamente definidas. Um não pode mais que o outro e não deve ser mais importante que o conjunto.

Torcida boa, mas sem time vitorioso é estéril. Jogadores bons, mas sem público para quem jogar se tornam apáticos. E administração do clube com potencial, mas sem dinheiro ou financiamento enxuga gelo dia e noite.

Fazendo uma análise sem paixões, coisa quase impossível no mundo do futebol, a situação avaiana é mais ou menos essa.

O curioso é que temos tudo para sermos uma explosão vencedora. Mas, invariavelmente, não passamos de um traque.

A torcida avaiana é uma das melhores do Brasil. Não sou eu, o eterno crucificado por falar nela, com abobados vociferando dia e noite, que digo isso. Foi a própria mídia nacional, quando nos visitou, que atestou a situação. A daqui, obviamente, nos despreza. Mas já fomos chamados de religião, o que pode parecer massagem no ego gratuita, mas quem já frequentou aquele belo estádio dos Carianos cheio, sabe o que é isso. Sei da história de dois americanos que assistiram a um jogo no camarote da presidência com a casa socada e saíram de lá emocionados com nossa torcida. Porém, embora seja apaixonada, é uma torcida de resultados. E se alguém contesta isso é só observar a realidade e o histórico.

O time atual do Avaí é bom. Tem um elenco com algum valor. Há alguns pernas de pau, mas há outros que jogam em qualquer time de Série A. As pessoas que analisam futebol sem a emoção das arquibancadas repetem isso a rodo. Para o nosso tamanho e as dificuldades existentes, fazemos parte da ala dos carnívoros da cadeia alimentar, pelo que já conquistamos. Porém, é um time que joga mais fora do que dentro do campo. Na verdade, falta personalidade de time. Há muitas picuinhas e mazelas existenciais que duvido se até o tal de Freud resolveria. Entre Rivortril, Lexotan ou Gardenal, muitos ali preferem João Caminhante mesmo, o que é uma lástima. Penamos nas mãos de quando querem jogar e se querem jogar.

A administração do Avaí não é boa e nem ruim, ela faz o que pode. Às vezes, como no passado, de Salum, Pico,  Flávio Félix, Zunino e outros, tira leite de pedra. Com a atual dministração, podemos velejar em águas mais serenas, mas temos que atravessar a arrebentação primeiro. Ocorre que fazer futebol em Florianópolis é terrível. Já dissemos isso inúmeras vezes. Tudo conspira contra. Só que vivenciou o dia a dia desse troço sabe o quanto é complicado.

Temos um estádio que não deve nada pra ninguém, exceto para as arenas da Copa. Qualquer um que saiba amarrar um par de chuteiras joga ali. É aconchegante e favorece o time da casa, porque mantém a torcida próxima ao campo. Mas, vazio, é mais silencioso que cemitério do interior.

Assim, numa análise mais fria, tínhamos tudo para fazer boas temporadas e obter memoráveis conquistas. Mas quis o destino que aquela cabeça de burro fosse enterrada bem no meio do gramado. Aí não dá!

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