O discurso da preguiça

Dizem nas mesas de bar que o discurso de quem perde é um e de quem ganha é outro. Que o diga o pessoal doladelá. Mas o discurso de quem empata é de que está tudo normal. Pelo menos no Avaí. Na Ressacada, ouve-se uma cantilena monocórdica e repetitiva, sem emoção e mais gelada que as neves da Palhoça.

– Ainda está no começo.

– Logo, logo vamos conseguir.

– Depois da Copa é outra história.

– Estamos no mercado procurando alternativas.

– Está tudo dentro da normalidade.

E a duas mais famosas:

– Precisamos de tempo para o time se ajustar na competição.

– A torcida tem que ter paciência.

Este último, o pior de todos.

E o discurso de quem está indignado é ficar calado para não dizer bobagens. Não é isso? Sim, é isso, mas ainda assim temos o que dizer, nós, torcedores. Ainda temos algum sangue nas veias, coisa que já acabou nos jogadores do Avaí faz tempo. Temos vela para acender, embora o defunto não mereça.

O fato, a realidade é que estamos nos encaminhando para a Série C com caçamba, bezerrinho, cordinha e baldinho. Tudo agarrado e um puxando o outro. Não se vê, no horizonte, qualquer menção de mudança desse quadro. Estou mentindo ou fazendo terra arrasada?

A conversa mole de que ainda dá tempo é só para manter algum público no estádio para se poder pagar a luz e a água usadas. Apenas para isso. É um problema de Gestão? Isso tem outro nome, mas a minha educação não permite dizer.

Entre os jogadores e a comissão técnica ninguém vai dizer que jogou a toalha, mas a disposição de quem pega a bola e a de quem comanda o grupo é de que já acabou. O marasmo é completo. É isso o que nos passam, não sou eu que estou dizendo. Não existe sinal de recuperação e vontade de mudar este quadro. Não existe mobilização de quem é responsável. Não se vê, sequer, alguém esbravejando nos microfones.

As caras de paisagem e os sorrisos amarelos permanecem a cada rodada.

Se percebêssemos que havia um alento, algum esforço, um comoção alimentando esperanças, o discurso de quem está do lado de cá seria de apoio completo e irrestrito. O de pegar junto e irmos até às últimas consequências. Como eu mesmo fiz em algumas vezes passadas. Seria tentar insuflar algum sopro de recuperação naquilo que parecia catástrofe.

Mas quando se vê, nitidamente, que o suposto time avaiano está se jogando no abismo e desprezando a mão salvadora ou largando a corda, e achando que está tudo normal, o discurso muda de tom e de figura.

Queria que fosse diferente, mas eles mesmos não querem, ou melhor, querem que fique tudo como está e mantendo o discurso da preguiça. Afinal, é preciso descanso para ter forças mais tarde nas visitas que fazem às casas de caridade, não é isso?

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