A verdade esperando o seu dono

A tese de bipolaridade, ou incoerência, no futebol já foi defendida por doutos sociólogos, anotada por comentaristas esportivos e por treinadores atentos ao que se diz nas arquibancadas, e sentida por onze dentre onze jogadores de um time, que é sacramentado quando ganha ou vaiado peremptoriamente quando perde e perde feio. E é típico comportamento de torcida mesmo, sem tirar nem por.

No dia a dia, o torcedor comum de arquibancada até tenta manter uma fina linha de conduta acerca das opiniões que tem sobre seu time. Torce e vaia como bem entende, porque sua emoção está acima da razão. Seus excessos são desculpados, haja vista sua angustia desenfreada e sua paixão avassaladora.

Mas há uma categoria de torcedor, pertencente a uma fauna muito rara, cujos gritos os tornam populosos, que na imensa maioria das vezes perde o fio do debate quando, no íntimo, ele diz muito pouco baseado no que profere aos quatro ventos e só faz gênero para encantar o entorno. Os principais representantes são os assim chamados “donos da verdade”. É bem habitual este tipo querer um motivo para cornetear, além de fazer graça e posar de sabido e de entendido do futebol e sair a arrotar teorias estranhas.

Uma delas é sobre a utilização dos estádios de futebol.

A gente percebe isso, nitidamente, nos discursos vazios e sem conteúdo, carregados de má vontade (ou má-fé), quando a modernização no futebol é defendida num dia e no outro ele, o entendido, só deseja um estádio de futebol apenas para “o futebol”, atestando o mais absoluto contrassenso. “Nada de usar para outras coisas”, diz, do alto de sua sabedoria presumida o entendido, enquanto observa com olhos rútilos para alemães, ingleses e americanos usando suas praças para as mais diversas atividades, além do futebol.

O seu estádio, contudo, o do seu time, vira elefante branco quando não é frequentado, coisa que ele faz questão e aposta que permaneça assim mesmo, que é para ir elencando os problemas e fortalecendo as desavenças que tem com a diretoria do clube de plantão, com torcedores que não o levam a sério e para aprovar sua tese.

É capaz de observar sem olhar para o alvo, apenas com o intuito de dizer o que pretende, mas sem conhecer, uma vez que, obviamente, não frequenta as dependências do estádio. Faz pouco caso por uma lógica que apenas ele entende. E no melhor exemplo de complexo de vira-latas, atesta que tudo pode estar errado, uma vez que ele, e só ele, tem a fórmula para os acertos e rotas bem conduzidas.

Um estádio de futebol é, acima de tudo, uma praça de espetáculos e deixá-lo ao tempo, tomando sol, chuva e acumulando poeiras, sem utilidade, é um desperdício. Por isso, antes de se definir que virará um elefante branco, os entendidos deveriam era promover um debate para um bom uso dessas praças, levantar o valor intangível, que é o apreço pelas nossas coisas, o carinho, a dedicação e empenho de fazer bonito. Falar mal por falar mal e sempre achar defeitos é coisa de fracassados, de desinformados e em cujas faces falta apenas o nariz de palhaço para aparecer.

Isso tudo prova que os candidatos a donos da verdade ainda estão no fim da fila, autenticando a carteirinha, mas longe de assumir seus cargos.

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