Em algum lugar do passado…

… largamos nossas esperanças.

Sim, para o real torcedor avaiano acostumado a grandes jogos, com jogadores que vendiam a alma a cada partida, quando víamos jogos memoráveis, agora, no atual momento, assistindo à partidas deploráveis como as do últimos meses, é de doer. Se alguém disser que a fase é ruim estará mentido: ela é horrível, das piores da nossa história. O Avaí de agora não repete, em nada, o que se acostumou a ver na história deste clube.

Claro que algum desavisado pode rever as estatísticas da CBF e constatar que estamos bem ranqueados. Nos colocamos entre os vinte primeiros clubes do futebol brasileiro, um pouco pra cima, um pouco para baixo. E isso se deve, exatamente, ao tempo no qual o time avaiano jogava com amor à camisa e com garra nas ventas, envergando vontade e disposição na camisa. O sangue nos olhos era nossa marca registrada. Tempos os quais íamos ao estádio com a esperança de ver um bom futebol, ou, ao menos, raça atrelada à vontade de vencer.

Hoje, o “cumprimento de tabela” parece ser o que move nossos jogadores. Um marasmo e uma falta de vontade que assustam até os adversários.

Evidentemente, e mais claro que a luz solar, que isso tem uma explicação declarada: o time avaiano depende de estrelas que estão apagadas, de astros em decadência, de protagonistas em desuso, cuja melhor forma é aquela de fora de campo, que o leitor bem sabe qual é.

Há pessoas que pensam que exigimos demais dos principais jogadores do Avaí, Marquinhos Santos e Cléber Santana, por pura má vontade. Que os criticamos por interesses pessoais. Que jogamos nas costas deles responsabilidades que não merecem.

Conversa! Bobagem!

É sabido que em todo time de futebol, os principais jogadores são aqueles para os quais os olhos se voltam. São os que decidem partidas. São aqueles que todo mundo quer ver jogar. São “os caras”. São os que a torcida adversária treme aos vê-los entrar em campo. São os jogadores que quando o jogo se torna difícil tomam a bola nas mãos e decidem uma partida complicada, revertem um resultado adverso.

Contudo, se um ET pousar no estádio da Ressacada agora e quiser saber quem é que joga no time do Avaí, quem é que dá medo ali, quem exige cuidados especiais dos adversários, imediatamente perceberá que os nossos jogadores principais não representam aquilo ao qual nossos anseios se voltam. Dá vontade de rir, tamanha sua incompetência. De apáticos a medíocres, o futebol destes jogadores é o reflexo do atual momento do time avaiano. Se alguém duvida disso, pergunto: há quanto tempo um dos tais medalhões foi eleito como o melhor de uma partida? Se até numa Copa do Mundo, o simples fato de se fazer um gol dá critérios favoráveis a alguém, qual a colocação dos principais jogadores avaianos nos últimos meses em nosso time?

E não pense o torcedor que isso me alegra. Ao contrário, reflito tal situação com dor, pois estamos jogando dinheiro fora a quem pensávamos que nos traria alguma alegria e constato que são puro engodo.

Dessa forma, a continuar assim, certamente estaremos brigando pela manutenção na Série B de 2014, rogando aos deuses do futebol que os contratos dos chamados medalhões sejam encerrados tão logo acabe a temporada. Antes que alguém, mais uma vez, interpreta mal o que escrevo, quero ressaltar que não podemos prescindir do futebol destes dois jogadores. Eles é que prescindiram do Avaí, claramente. Assim, não precisamos mais deles e a nossa história precisa ser recontada, de preferência com gente que quer jogar muito mais do que o nome que porta na testa.

Lugar de ídolo é numa estante.

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E aí, Geninho?

Depois da parada da Copa do Mundo, o Avaí voltou arrasador na série B. Disputou três jogos e alcançou três vitórias. Geninho fez a torcida avaiana acreditar que seria possível este time do Avaí jogar num esquema 4-4-2 e galgar umas das quatro vagas para a série A.

As vitórias deixavam em segundo plano os fatos de que contra o Atlético-GO o gol salvador foi no apagar das luzes, contra a Ponte Preta foi de falta e lá em Joinville o time da casa desperdiçou diversas oportunidades.

Mas quis o treinador modificar as peças do seu 4-4-2, para  a partida contra o Luverdense, e Diego Felipe foi sacado. Com isso o time perdeu, e muito, a pouca velocidade que tinha no meio de campo. Já contra o Oeste ele voltou com o Diego Felipe no meio, mas optou por Eduardo Neto no lugar do Eduardo Costa, perdendo, então, em “pegada” no meio de campo.

Na tabela abaixo, pode-se ver os atletas que disputaram as cinco partidas pós-Copa:

Atlético-GO Ponte Preta Joinville Luverdense Oeste
Vágner Vágner Vágner Vágner Vágner
Bocão Bocão Bocão Bocão Bocão
Antônio Carlos Pablo Pablo Antônio Carlos Pablo
Pablo Bruno Maia Antônio Carlos Bruno Maia Antônio Carlos
Carleto Carleto Carleto Carleto Marrone
Eduardo Costa Eduardo Costa Eduardo Costa Eduardo Costa Eduardo Neto
Diego Felipe Diego Felipe Eduardo Neto Eduardo Neto Diego Felipe
Cléber Santana Cléber Santana Cléber Santana Cléber Santana Cléber Santana
Marquinhos Marquinhos Diego Felipe Marquinhos Marquinhos
Anderson Lopes Anderson Lopes Anderson Lopes Anderson Lopes Wilker
Paulo Sérgio Paulo Sérgio Paulo Sérgio Willen Héber
Júlio César Eduardo Neto Diego Jardel Diego Felipe Revson
Bruno Maia Roberto Roberto Roberto Willen
Héber Héber Willen Paulo Sérgio

Constata-se que contra o Oeste o treinador sequer utilizou a terceira substituição. Demonstrando a satisfação com o resultado de empate.

Ocorre que num campeonato de pontos corridos o fundamental é jogar para vencer. Afinal, uma vitória em três jogos vale mais do que três empates.

O fato é que o meio-campo do Avaí está extremamente lento. E no futebol moderno isto pode ser fatal. Outro calcanhar de aquiles, do Avaí, é a lateral esquerda. E neste ponto creio que o Geninho tem duas opções: 1) Jogar com três zagueiros (pode até um volante compor a linha), ou colocar um volante na lateral esquerda (como já está fazendo), mas proibí-lo de apoiar. Além disso, Bocão está caindo de produção, errando muitos passes do meio para frente.

No final de semana, o Coritiba usou o Alex no ataque, na partida contra o Fluminense. Não seria o caso de se pensar em Cléber Santana e/ou Marquinhos jogando no ataque? Afinal, se o treinador não tem coragem de deixar os craques assistindo um pouco as partidas no banco de reservas não seria a hora de testá-los no ataque? Assim seria possível ter velocidade no meio de campo, com os Diegos Felipe e Jardel.

Confesso que hoje eu não saberia dizer um time ideal do Avaí, mas testaria uma dessas duas opções:

1) 3-5-2, com: Vágner; Antônio Carlos, Pablo e Bruno Maia; Eduardo Costa, Júlio César, Bocão, Diego Felipe e Diego Jardel, Marquinhos e Cléber Santana.

2) 4-3-3 (ou 4-3-2-1), com: Vágner; Marrone, Pablo, Antônio Carlos e Revson; Eduardo Costa, Diego Felipe e Diego Jardel, Marquinhos, Cléber Santana e Anderson Lopes.

 

Como está é que não dá para ficar.

E aí, Geninho?

Disco velho e arranhado

Era mais claro que a luz solar que o Avaí não passaria desta fase do Copa do Brasil. Não este Avaí. Um Avaí de outras épocas, raçudo, valente, competitivo até poderia ser eliminado também, mas venderia mais caro tal classificação. A delegação voltaria para Florianópolis e seria recebida com sorrisos e salvas efusivas. Afinal, estaríamos bem representados. Este time, não. Este time é frouxo, apático, sem brilho, sem alma, preguiçoso. Lento. Malandro.

Todavia, por mais que estivéssemos inundados da razão, de saber com quem lidávamos e para qual grupo de jogadores torcíamos, ainda assim restava-nos uma ponta de esperança. Ainda assim fazíamos gosto por uma vitória. Ainda assim nossos corações de leões clamavam por um resultado consagrador. Ao menos uma partida de gigantes. Isso é tolice? Não, uso o pensamento estampado no blog Pitaco Azul, “para o diabo vá a razão quando o futebol invade o coração”, de autoria do Drumond.

Mas, não foi assim.

Lamento mesmo é que depois de algumas rodadas, quando imaginava que o técnico Geninho, com sua bagagem de conhecimento e experiência, barrasse definitivamente os tais medalhões do time avaiano, a coisa continue como sempre. Comentávamos isso, entre amigos, aqueles que torcem para o Avaí e não para cuecas de jogadores, que seria inevitável a saída de Marquinhos, Cléber e Eduardo Costa do time, dadas as condições que o técnico os encontraria. As pessoas que assistem ao futebol e veem nosso time jogando sabem perfeitamente que é ali o nosso calo. Que é no meio a nossa lástima. Que os tais três tenores não estão jogando absolutamente nada.

Quem acha que é perseguição, leia e escute a mídia de fora, não a nossa. E não os blogueiros amiguinhos destes jogadores.

Geninho será mais um técnico sem coragem. Mais um presepeiro a falar bonito fora do campo e a fazer o mesmo e dançar a mesma valsa dos outros. Esqueçam o acesso. O negócio é fazer pontos para não cair.

A noite das bruxas

Durante toda a semana motivamos o Avaí, chamando público e tentando incendiar a Ressacada. Nós, os torcedores avaianos, os que gostam deste clube e que não vivem como urubus no muro esperando o cadáver apodrecer para comer os restos. Nós que não ficamos torcendo pra dar errado só para ter o prazer de falar dos defeitos, enchendo blogs e redes sociais de tolices. Nós, os avaianos, queremos o melhor. Porém, as coisas ao redor de nosso clube conspiram contra tudo.

bruxaDe repente, quando muitos torcedores se deslocavam para a Ressacada, a tarde ensolarada virou uma noite de ventos e tempestade. Raios, trovões e chuva forte varreram a cidade. Os que já não tinham muita vontade de se deslocar para o estádio, deram a volta e foram pra casa. Os que ainda acompanham foram desconfiados para o reduto do Leão da Ilha. Isso não está legal, ouvia-se.

Para começar a noite tenebrosa, o técnico Geninho, que vinha tão bem, resolveu tirar o melhor jogador de meio campo que pisou na Ressacada nos últimos dois anos, Diego Felipe, e colocou um volante marcador, mas lento e sem definição de ataque, que é Eduardo Neto. Juro que não entendi essa mexida. Ela foi tão infeliz, tão sem noção, que após a entrada de Diego Felipe no fim do segundo tempo o time do Avaí foi outro, se adiantou, movimentou-se melhor e por pouco o resultado nos seria favorável. Provamos o erro crasso de Geninho em fazer esta alteração. Comeu mosca com catupiry o nosso treinador. A propósito, o segundo erro eu aponto a seguir.

Marquinhos, Cléber Santana e Eduardo Costa, que as madalenas arrependidas e os rapazes com cérebro de ameba endeusam, fizeram uma partida risível. Digo risível para ser bem legalzinho, porque não concebo jogadores com esta suposta qualidade, com sua história, com quilômetros de experiência nas costas, jogarem de maneira tão irresponsável. Daquelas na qual, se sou presidente do clube, mando passar no Departamento Pessoal logo após o jogo e demito por justa causa. E o pior que tem um bando de malucos que aplaudem esses caras.

O goleiro Wagner, de altos e baixos, como bem diz meu amigo André Tarnowsky, falhou mais uma vez tomando um gol de forma bisonha. É preciso dizer que, se o treinador de goleiros do Avaí não dá conta de “mandar” seus pupilos saírem do gol com decisão, que vá vender cocada na feira, mas suma do clube. Isso é inconcebível para a posição de goleiro e já se tornou crônico na Ressacada.

O segundo erro de Geninho foi promover o atacante Willem à condição de titular. Jogador que vive no banco exigindo uma oportunidade e não produz, deve pegar suas malas e ir embora. Ele foi uma peça nula, ou um bom zagueiro do time do Luverdense (deosolivre!). Deve ser jogador barato, então, não tem necessidade de se manter um jogador nulo como esse, no come e dorme. Mandem embora agora e evitem uma lenga-lenga trabalhista adiante.

E ainda para ajudar a noite terrível que foi esta sexta-feira, o árbitro da partida foi… bom, todos vimos, não preciso comentar. Aliás, arbitragem no Brasil é uma lástima e eles se acham no direto de nos impor uma razão que não existe. Fraco, omisso, favorecendo a impunidade, marcando lances duvidosos e deixando outros lances claros sem marcação. Aquilo foi pênalti, seu juiz, e você prejudicou o time do Sul da Ilha. Ponto. Claro que isso não é desculpa para o fraco desempenho do Avaí, mas que foi pênalti, isso foi.

Ainda não chegamos à metade da competição e muita água vai rolar por debaixo da pinguela. Mas é visível que a continuar assim não chegaremos. O Avaí, como time e como clube, precisa definir o que quer. Se manter na série B, pagar as contas e vir forte para o ano que vem, ou tentar na sorte e no jeitinho uma vaga no acesso. O que decidirem eu estou junto. Mas eu quero ir para Ressacada ao menos para ver vontade e determinação. Ao menos isso. Não exijo nem vitória, mas um pouco de decência não faria mal a ninguém. Do contrário, estar com minha família é bem melhor.