Pré-jogo: Figueirense x América – RN

Por Don Mattos

Começamos hoje nossa caminhada rumo ao desejado acesso.

O cenário não é dos mais motivadores, Wilfredo Berlusconi jurou montar um time de série A, acenou com as contratações de Chicão, Fabrício e Zé Carlos ao final do campeonato varzearinense, mas – como tem determinado a conduta do cartola – na hora do vamos ver trouxe mais uma penca de apostas de qualidade duvidosa.

Estamos praticamente em junho e entraremos na competição mais importante do ano com pinta de pré-temporada. Time em formação, atletas desconhecidos que terão a missão de levar o Figueira ao lugar mais desejado do nosso esporte bretão.

Para a estreia, enfrentaremos o América de Natal na Avenida Santa Catarina. O time potiguar vem à ilha mais linda do mundo capitaneado por Roberto Fernandes, aquele que já trabalhou no Estreito e esperava sempre a opinião dos rapazes do Debate Diário para escalar a equipe, sem contar que foi o responsável pelo infeliz episódio do vestidinho no treino.

O América vem a Florianópolis também abalado pelo insucesso no seu campeonato regional. Em tese, é um time que almeja mais a permanência na divisão subalterna do campeonato nacional, do que o acesso à elite, mas não podemos dar bobeira.

Na teoria, este é um daqueles jogos para assegurarmos os 3 pontos sem maiores atropelos. Mas considerando-se o desempenho apático do alvinegro até aqui, a torcida vai a campo bastante desconfiada das nossas reais possibilidades nesta série B.

O nosso maior adversário somos nós mesmos. Nosso time não tem meio de campo, nosso técnico anda inventando demais, coloca meia na lateral, lateral no banco, volante no meio e neste ritmo a orquestra alvinegra em desafinado bastante.

É pouco provável que Gérson Magrão jogue. Dando sequência ao dia-a-dia agitado do nosso DM, o rapaz que passou a maior parte do campeonato estadual encostado na enfermaria, iniciará também a competição nacional por lá. Deste modo, é bastante provável que Saci comece jogando na sua posição de origem, a lateral canhota, e Renan Oliveira entre em campo trajando nossa emblemática camisa 10. É pouco provável que André Rocha jogue, já que o seu desempenho até aqui foi nulo, e o rapaz William Cordeiro, no pouco tempo que jogou, agradou. Para o manto sagrado de Albeneir, o privilegiado a vestir a 9 deve ser novamente Rafael Costa. No jogo contra o tradicionalíssimo Arapongas, o rapaz teve um primeiro tempo pouco participativo, mas melhorou no segundo, marcando inclusive o seu primeiro gol com a camisa mais linda do mundo.

O campeonato começa sem que a torcida saiba direito qual é o seu time, quem são os titulares, quais das apostas deve vingar e quais apenas pesarão na nossa judiada folha salarial.

Mas nada disso importa depois que o juiz apitar logo mais a tarde. Vamos para o estádio que hoje é dia de Scarpelli. Não teremos aquela presença maciça em função do nosso desempenho neste ano, o ingresso é caro, a torcida está desconfiada, mas quando a bola rola tudo isso fica em segundo plano.

Vamos pra cima, que é no topo que fomos predestinados a estar.

Saudações Alvinegras!

Dá para ter esperanças na Série B 2013?

Por Don Mattos

E bradou do alto do monte da Avenida Santa Catarina, o Senhor barrigudo da caneta alvinegra: “Que venha Adilson Batista!”.

Ele veio, e a alvinegrada fiel acreditou que isso era bom.

Poderia ser, poderia estar sendo, pode até vir a ser, mas não tem sido.

Adilson Batista, quando tem a sua disposição um elenco com alguma qualidade, monta sim bons times. Prova disso é o trabalho que fez conosco em 2005/2006, e também o seu trabalho a frente do Cruzeiro.

O que tem prejudicado o seu trabalho nesta segunda passagem pelo Estreito é o somatório de dois fatores: jogadores ruins + teimosia.

Nosso elenco é fraco, carente de peças em praticamente todas as posições e não possui um craque, alguém que assuma a responsabilidade de chamar a boleirada na chincha dentro de campo e botar ordem na casa alvinegra. Não temos um craque, não temos um líder, e ambos estão nos fazendo muita falta.

Time vencedor costuma contar com um atleta diferenciado ou com um elenco forte, não temos nenhum dos dois. Soma-se a isso a teimosia tática de Adilson Batista, suas manias de brincar de esconde-esconde até em jogo treino e a insistência em usar jogadores deslocados de suas funções de origem, e dá no que tem dado: futebolzinho chinfrim.

Na vitória sobre o Arapongas, por exemplo, sofremos muito pela falta de um atleta que organizasse o meio de campo. Gérson Magrão, contratado para cumprir esta função, atuou de ala esquerdo, enquanto Wellington Saci, contratado para lateral esquerdo, antes da lesão estava atuando mais de meia do que ala. No jogo de quarta-feira, o meia jogou de lateral e o lateral ficou no banco.

Gosto do Adilson Batista, mas não está me agradando esta sua segunda passagem. Ok, tivemos muitos problemas com lesão e não foi possível estabelecer qual é o nosso time titular. Mas, ainda assim, não se percebe uma evolução tática no desempenho da equipe.

Além disto, o discurso do nosso treineiro tem se afastado cada vez mais de uma das características que sempre esteve presente no paranaense: personalidade. O discurso vazio, respostas inconclusivas, a tentativa insistente de confundir os repórteres que o entrevistam tem dado a entender que está totalmente adaptado e integrado ao modus operandi de Wilfredo Berlusconi. Uma pena.

Adilson Batista nunca foi técnico de baixar a bola para presidente. Respeito pela hierarquia é uma coisa, conivência é outra, mas parece que as duas coisas têm se misturado um pouco na conduta do Adilsão velho de guerra.

O discurso que tenta responsabilizar o torcedor pelo insucesso do time é mais irritante do que fiapo de cana entre os dentes. A torcida está distante, fria, quase indiferente? Está, mas é apenas a resposta natural à maneira distante, fria e indiferente com que ela tem sido tratada pelos nossos cartolas já há alguns anos.

Além disso tudo, a parte mais deficitária da nossa comissão técnica é a preparação física. Ou estamos contratando uma carrada de chinelinhos para jogar bola, ou o pessoal da preparação física não passa de estagiários de cursos à distância de alguma formação técnica em radiologia. Não é admissível que hoje em dia, com toda a tecnologia disponível nesta área, ainda fiquemos tanto tempo sem peças importantes do time. Com uma gota de sangue é possível verificar o nível de desgaste dos atletas após as partidas, qual está correndo risco de se lesionar, e, deste modo, uma partida de repouso pode evitar 4 meses no DM. Mas parece que estas tecnologias ainda não chegaram ao conhecimento do departamento médico alvinegro.

A série B é um campeonato duro, pegado, que exige muita força física e velocidade. Se não for feita uma verdadeira revolução no nosso departamento médico, terminaremos o ano do mesmo jeito que começamos, usando lesões como justificativa para o insucesso dentro de campo.

Agora a série B chegou e certamente vai ser um campeonato bem difícil. Amanhã estrearemos dentro de casa já com a obrigação pela conquista dos três primeiros pontos. Desde a semana passada, tratei neste espaço de cada uma das posições e, de lá pra cá, não veio a tal da grande contratação e nem de longe temos o propalado time de série A, prometido por Wilfredo Berlusconi. Não veio Chicão, não veio Fabrício, não veio Zé Carlos, mas veio um caminhão de novas apostas.

Não vimos entre os recém-chegados aquele que tenha vindo para assumir a titularidade inquestionável. Todos serão testados em treinos secretos realizados nos espaços vagos entre os oito jogos que faremos nos próximos 25 dias. Vai ser uma maratona extensa, pesada para um time que após metade do ano transcorrido, continua em formação e com pinta de pré-temporada.

Sinceramente? Não estou esperançoso.

Torcerei fervorosamente como sempre faço, mas o que vi de janeiro até aqui me leva a crer que 2013 será um ano perdido, repleto de rescisões contratuais das inúmeras apostas que deixarão ainda mais preocupante a situação da nossa combalida conta bancária.

Espero estar errado, mas prevejo um ano aonde provavelmente chegaremos ao fim da série B brigando com o Asa de Arapiraca pela honrosa décima colocação.

A expectativa não é das melhores, mas a esperança sempre vestiu o mesmo tom de verde das folhas da Figueira.

Sendo assim, que venha a série B.

Saudações Alvinegras!

O triste abandono das nossas laterais

Por Don Mattos

Desde o ano passado que não há santo que dê jeito nas nossas laterais.

Elas que foram um dos pontos altos da campanha de 2011, hoje são a alegria das subidas inimigas.

É público e notório que o lado canhoto da grama do Scarpelli sempre foi muito forte, nomes como Lino, Triguinho, Fininho, Filipe, Michel Bastos, André Santos, Juninho sempre foram certeza de preocupação para os técnicos adversários. E ainda tivemos pelo lado direitoPaulo Sérgio, Lucas, Bruno entre outros que também fizeram jus ao privilégio de vestir a nossa camisa número 2. Agora, seja na 6 ou na 2, a coisa tá preocupante.

Comecemos pelo lado mais fácil.

Nossa lateral esquerda vive da torcida para que Saci não se lesione, e do marasmo de ver o eterno reserva Hélder entrando em campo para tirar a paz de espírito da alvinegrada. Por uma dessas bênçãos divinas dos deuses da bola, Hélder foi defenestrado da nossa folha salarial. Um raro caso de demissão que representa o mesmo que um reforço. Wellington Saci tem potencial, e isso não é de hoje. É um jogador de muito futuro desde o tempo que surgiu lá no Corinthians. O problema é que já faz tempo que ele é um jogador de futuro, uma promessa, e já está quase com o status de promessa não cumprida. Começou o ano muito timidamente, mas no returno passou a jogar uma bola mais caprichada. Deu toda pinta de que resolveria a nossa lateral canhota, se destacando tanto pela técnica, que acabou sendo usado no meio de campo, onde ainda penamos pela falta de criatividade, quanto pela velocidade nas subidas ao fundo do campo. O problema é que veio a lesão.

E o problema do problema, é que esse problema não é de hoje. O histórico de lesões do rapaz vem desde os tempos de Corinthians, passando a reprise deste filme no Bahia e Atlético Paranaense, e agora também no Scarpelli. Sinto tanto por nós quanto pelo atleta. Não sei se trata-se de um caso de chinelinho, como existem tantos por aí (um abraço todo especial para o Vinícius Pacheco!), mas o tempo que o rapaz passa fora de combate é preocupante. Saci é rápido, um dos poucos do elenco de 2013 que erra poucos passes, chega bem ao fundo e sabe cruzar (outro abraço para o Hélder-já-vai-tarde). Saci ainda tem bom arremate de fora da área e é um razoável cobrador de faltas. Pela habilidade e técnica que possui, pode sim cair para o meio, mas isso só é interessante se tivermos alguém de igual capacidade para cobrir a carência da nossa lateral.

Resumo da ópera canhota, se Saci estiver bem, a lateral é dele e ninguém tasca. O problema é que ele quase nunca está bem.

Na ausência do nosso camisa 6 titular, Adilson experimentou jogar Gérson Magrão para aquele lado do campo. Ele já fez essa função em outros times, mas deixou claro que não é o lugar onde mais gosta de jogar. E, na minha opinião, também não é o local onde ele pode render melhor, mas dele eu falo quando chegar na meiúca.

Ou seja, precisamos de mais uma opção de bom nível para a lateral esquerda. Saci é bom, mas não é confiável, pode nos deixar na mão de uma hora para outra. O ideal é que tenhamos nas laterais algo parecido com o que era nossa lateral direita em 2010, faltava o Lucas, entrava o Bruno e tudo seguia lindo e maravilhoso.

Para tentar suprir esta carência, acertamos com Henrique Miranda, do São Paulo. Confesso que não conheço a bola do rapaz, vamos tocando com a mesma sensação das outras contratações confirmadas até aqui: esperar pra ver no que vai dar. Espero que se destaque do mesmo jeito que se destacou Wellington Nem. Na época, ninguém sabia que raios era Wellington Nem, apenas que tinha sido destaque da base tricolor carioca. Algo parecido agora com o caso de Henrique Miranda. Que se repita a história de sucesso, essa é a torcida!

Mas falemos da lateral direita, é lá que o bicho pega.

Começamos o ano com o Peter, jogador que já tinha passado por aqui e teve tanto destaque, mas tanto destaque, que quase ninguém lembrava disso. Foi fraco na primeira passagem, pior ainda nesta segunda. Se ele quer realmente viver no mundo da bola, devia tentar uma vaguinha de roupeiro, pois querer me convencer que é jogador profissional é forçar a amizade. O cara é tão meia boca que não foram precisas muitas partidas para ser afastado do elenco e, para substituí-lo, num daqueles magistrais cases de inteligência corporativa e precisão na hora de contratar, os cartolas de Wilfredo Berlusconi trouxeram André Rocha. Nem se importaram com o fato de que o rapaz estava sem jogar desde maio de 2012. Isso, para nossos gestores da bola, é só um detalhe. André Rocha tem o mesmo potencial de Guti, pode ser uma excelente opção para o Metropolitano, não para o Figueira. Fraco na marcação e pouco produtivo no ataque, quem vai querer um lateral desses?

Fazendo-se valer da estratégia científica extremamente eficaz do “não tem tu vai tu mesmo”, sobrou para Maylson assumir o lado direito do campo. Maylson é um jogador razoável, acho que merece permanecer no elenco. Não como titular, mas é um bom reserva. Versátil, capaz de executar mais de uma função em campo, exatamente do jeitinho que o Adilsão velho de guerra gosta. Acontece que lá no início do ano, Maylson atuou como segundo volante, terceiro homem do meio de campo, sempre infiltrando em diagonal ou pelo meio como homem surpresa. Algo parecido com o que o Henrique fazia no nosso time de 2007, mas sem tanta qualidade. Jogando naquela faixa do gramado, Maylson rendeu mais, tanto que marcou os seus golzinhos no primeiro turno através destas infiltrações. Agora, atuando como lateral direito, já não tem o mesmo destaque. Não compromete como os outros dois que dizem ser laterais de ofício, mas também não é nem a sombra do cadarço da chuteira esquerda de trava baixa do Bruno.

Como tentativa de solucionar nossa carência, trouxemos William. Vamos ver se o rapaz vinga, mas é mais uma aposta do cartola que prometeu um time de série A. O menino pode vingar, pode acontecer, mas nossa situação não nos permite esse tipo de risco, precisamos urgentemente de alguém rodado, que conheça os atalhos do campo e com a malandragem exigida por uma série B. Não podemos nos sujeitar a experiências com quase meio ano passado.

Ou seja, mantém William pra ver se vinga e garante o rapaz, ao menos, como uma boa opção no elenco. Mas corre atrás urgentemente de um lateral direito de verdade, que chegue e assuma a posição de titular com autoridade, sem deixar margens para dúvidas.

Em suma, um titular para a direita e um bom reserva para a esquerda, e a cozinha alvinegra começa a ficar organizada. Estando a cozinha em ordem, é correr atrás de um bom e feroz pit bull para proteger nosso quintal, mas esse papo fica para segunda.

Saudações Alvinegras!

Pré-jogo: Arapongas x Figueirense

Por Don Mattos

Na noite de hoje o Figueira entra em campo tentando deixar de lado a nuvem negra que estacionou no Estreito nos últimos dias.

Eliminação no campeonato varzearinense, notícia de uma barca que aportou na Avenida Santa Catarina e que em breve deve partir carregadinha, boatos de troca no comando técnico da equipe, enfim, uma enorme lista de novas dificuldades servidas a Adilson Batista. Cabe agora a ele, dar um jeito de reverter o astral do elenco e conseguir a façanha de levar a campo uma qualidade na prática do nosso esporte bretão, ainda não vista este ano no time do Orlando Scarpelli.

Deveremos ter algumas mudanças na escalação do Maior Alvinegro do Mundo. Dizem as boas línguas, que Hélder já tem uma confortável cadeira reservada para ele na barca alvinegra, e sequer viajou com o time para Arapongas, o que pode ser considerado um ótimo reforço. Tinga, que não jogou contra a Chapecoense devido ao terceiro amarelo, estará em campo. Mais um reforço. André Rocha também está fora, outro reforço. Há a possibilidade da estreia de William na lateral direita e de Rafael Costa no ataque, que só nos dirão se são ou não reforços com o decorrer das partidas que disputarem. Ou seja, ainda que nossas laterais sejam ocupadas por meias improvisados, elas deverão melhorar consideravelmente sem os que antes passeavam pelas nossas alas, valendo-se do privilégio de assistir as partidas de dentro do campo sem pagar ingresso.

Com isso, devemos ter em campo hoje a seguinte escalação: Ricardo, Maylson (William), Thiego, Douglas Silva, Gérson Magrão, William Magrão, Tinga, Jackson, Danilinho, Toscano (Rafael Costa) e Ricardinho.

Diante das opções de Adilson Batista esse é o time que dá para mandar a campo. Não tem o que se contestar, time escalado na base do “não tem tu, vai tu mesmo!”.

A ausência de Hélder é um reforço, mas o preço é relativamente alto, pois sacrificaremos Gérson Magrão que rende melhor no meio, para improvisá-lo na lateral canhota do campo. Danilinho jogou pouco este ano em função da lesão sofrida, esta partida pode ser uma das últimas chances do rapaz provar que merece constar na folha de pagamento alvinegra. Ainda não jogou um futebol convincente, mas ficamos na torcida para que ele surpreenda e comece a mostrar que pode ser o articulador que nos ressentimos desde a dolorosa partida de FernanDEZ.

O adversário é o grande Arapongas!Time muito tradicional e de longa história em toda a imensa vastidão de… Arapongas.

Por mais que nosso time esteja longe daquilo que esperamos ver em ação quando vemos onze camaradas vestindo a camisa mais linda do mundo, creio que com a escalação acima temos totais condições de superar o sétimo colocado do campeonato paranaense, cuja única ambição no campeonato do seu estado era fugir do rebaixamento. Uma espécie de Camboriú vestido de verde.

Contudo, a preocupação e desconfiança por parte da torcida é grande, pois se o futebol apresentado nas 21 partidas disputadas até aqui foi insuficiente até no nosso debilitado campeonato estadual, imagina na Copa…

Saudações Alvinegras!

Pré-jogo Chapecoense x Figueirense

Por Don Mattos

Fim de semana dos bão!

Será neste domingo que a alfândega indígena carimbará no passaporte alvinegro a passagem de ida às finais do varzearinense, com direito à volta com caneco na bagagem.

Para o jogo contra a Chapecoense, aquele suspensezinho sem-vergonha em esconder escalação, que para os outros é artimanha de jogo decisivo, mas para nós é mais cotidiano que pão de trigo.

Como de praxe, não sabemos qual o time que entrará em campo. Sabemos que Wellington Saci não entrará, o que é uma grande perda, pois o rapaz se mostrou uma das poucas contratações acertadas no ano da graça de 2013.

Contudo, segundo a imprensa de informações seguras arrematadas na fila do posto de saúde da Heitor Blum, Adilson será estranhamente ousado e entrará num 4-3-3, jogando Gérson Magrão na ala canhota do gramado alvinegro. Não acredito na primeira parte, é bem possível a segunda.

Adilson não deverá jogar o time para frente, não é do seu feitio. Ainda mais fora de casa, em partida valendo vaga na final. A formação ofensiva divulgada pela mídia ranhenta, foi divulgada num treino que Adilsão velho de guerra deixou filmar. Mas, meu amigo, desde quando Adilson Batista deixa filmar treino, ou confirma o time antes da partida?

Não que o esquema desagrade. Uma vez que precisamos do resultado, atacar é tudo o que nos resta, já que o empate garante o time da lavoura nas finais contra o tigre. Mas na culinária adilsonbatistiana, ataque não é prato que se sirva. Mas não só por isso, nosso plantel não tem jogadores exatamente ideais para este esquema. Tal qual o primeiro jogo, deveremos entrar cheios de volantes de procedência e qualidade duvidosas, tentando tumultuar o meio de campo e fazer a bola sobrar lá na frente para a correria de Ricardinho, que já demonstrou ter uma capacidade pulmonar infinitamente superior a dos marcadores colonos. Não é a tática ideal, mas se for esta a escolhida, será esta a que dará certo.

Usar Gérson Magrão como lateral/ala esquerdo, me parece um grande equívoco. Não que ele seja incapaz de cumprir a função. Já atuou como lateral em mais de uma oportunidade pelos clubes por onde passou, acontece que o jogador vem evoluindo bastante a cada partida, o ritmo de jogo já se aproxima do ideal, depois de tanto tempo parado, mas acho que ele pode ser melhor aproveitado. No atual elenco alvinegro, Gérson Magrão parece o único boleiro com capacidade de fazer a bola rolar pelo chão, e com razoável índice de acerto nos passes. Além disso, tem um bom arremate de fora da área, o que pode ser uma qualidade valiosíssima num confronto que promete ser truncado. Sendo assim, ele no meio pode ser bem mais interessante do que no canto do campo.

Este é mais um dos casos em que nossas mentes são desafiadas a compreender o raciocínio lógico de Adilson Batista. Vamos lá, Hélder – por mais pereba que seja – é lateral, Gérson Magrão é meia, aí o camarada resolve inverter as polaridades. Coisas de Adilson Batista…

Ok, sejamos condescendentes, Gérson Magrão pela esquerda se aproximará bastante de Ricardinho, como o lado direito da indiarada é fraco, Adilson pode tentar concentrar as açõesofensivas ali no calo dos meninos de verde. É uma estratégia, não sei se boa, mas é uma estratégia.

A grande dúvida da alvinegrada é quanto a presença – ou não – do capita Douglas Silva.

Há quem assegure que nosso zagueirão irá para o jogo, tanto quanto há os que juram de pés juntos que nem relacionado o camarada está.

Tomara que estejam certos os primeiros, nosso camisa 4 faz falta, é de longe o melhor zagueiro do campeonato e, junto da dupla Gérson e William Magrão mais Wellington Saci e Ricardo, um dos poucos que se salva nessa campanha de muitos pontos e pouco futebol profissional.

Independente destas possibilidades, voltaremos vencedores e classificados.

Mais uma vez vamos para o embate remendados, improvisados e, mais uma vez, voltaremos vencedores.

Depois disso é só começar a semana de preparação para a final contra a galera do supermercado, já pensando numa deliciosa tainha ovada acompanhada de uma cervejinha bem gelada, que será saboreada para comemorar nosso décimo sexto caneco estadual!

Saudações Alvinegras!

Sou apaixonado por futebol e o Estadual não me representa

Por Don Mattos

André Guesser, um grande amigo avaiano, apaixonado por futebol e com opiniões bem fundamentadas sobre nosso esporte bretão, me indagou por quais motivos não gosto do nosso campeonato estadual, chamando-o carinhosamente de “varzearinense”, já que, segundo ele, o nosso não perde nada em termos de qualidade para os campeonatos de outros estados.

Primeiro, digo que para estabelecer se gosto ou não de algo, não preciso comparar este algo a um produto similar. Não preciso necessariamente gostar de maçã, para dizer se gosto ou não de laranja. Os dois são frutas, mas o meu interesse por cada uma delas está nelas individualmente, e não na comparação entre ambas.

Do mesmo modo, não comparo o nosso estadual com o dos paulistas ou cariocas.

Analiso o nosso nele em si, por isso concluo que ele não vale nada.

O principal – se não único – argumento de quem defende os estaduais, está no romantismo da rivalidade estadual, e, no nosso caso, num suposto equilíbrio entre os principais expoentes. Mas vamos por partes.

Somos equilibrados na falta de qualidade, não no bom toque de bola. Nosso nivelamento é por baixo.

O campeonato é uma várzea pelo calendário inchado que inviabiliza a pré-temporada e regulamento sempre ridículo, onde um time que ganha os dois turnos não é campeão, onde não há saldo de gols em partidas decisivas, onde eu posso perder no tempo normal e ter vantagem de empate na prorrogação. Sim, eu sei que as regras foram, são e serão sempre aceitas pelos cartolas, numa curiosa e permanente unanimidade na aprovação de tais regras. Mas é mais do que claro que, assim como o Feliciano, nossos cartolas não nos representam.

Todas as torcidas pleiteiam por uma democracia praticamente utópica, onde torcedores tenham poder de voto e efetiva participação no destino dos seus clubes do coração, e nenhuma delas tem direito a isso. Nossos cartolas mandam e desmandam a seu bel prazer, indiferentes às agruras dos torcedores, dedicados quase sempre aos seus interesses pessoais. Hoje a torcida do Criciúma idolatra o Angeloni, do mesmo modo que já idolatramos PPP, e que a torcida azurra idolatrou Zunino em 2008-2009, mas com o passar do tempo a idolatria muda de forma, e percebe-se que a intenção nos atos, quase sempre, não era tão boa assim.

O campeonato é uma várzea porque a trave do jogo cai em cima do zagueiro, e a partida fica mais de meia hora interrompida até que se consiga uma trave substituta. Quando se consegue, percebe-se que ela tem as dimensões inferiores as das traves oficiais.

O campeonato é uma várzea porque dos dez estádios, 5 gramados são amadores. Em Camboriú, o campo fica colado no quintal da casa de uma senhora, e quando a bola cai lá, ela não devolve.

O campeonato é uma várzea porque um juiz prejudicou o Avaí ao não marcar um pênalti escandaloso, aí o ídolo deles faz o que qualquer torcida espera que seu ídolo faça: reclama, contesta, toma a frente em defesa do clube. Mas na nossa várzea o culpado é quem sofreu o pênalti, ao invés daquele que não o marcou. O culpado pelo assassinato é o peito que não desviou da bala, e não o dedo que apertou o gatilho. As torcidas adversárias, principalmente a nossa, fica na torcida por uma punição para o jogador que foi vítima, não culpado. Como ele atrai os holofotes, ninguém comenta o pontapé escandaloso que o jogador avaiano levou, apenas pelo prazer da secação, não por buscar justiça no campeonato. Não deu em nada, como quase tudo que cai para o nosso TJD decidir, mas supondo que o pênalti tivesse sido marcado e convertido, hoje a vantagem de decidir em casa seria do Avaí, não do Criciúma. E antes que a corniqueta alvinegra venha me apedrejar por este argumento, me chamando de avaiano enrustido e afins, não, não sou avaiano enrustido, sou alvinegro com muito orgulho e o serei até morrer, mas isso não faz de mim cego. Justiça é quando o que vale para mim, vale também para os outros, não quando os outros se ferram para que eu seja favorecido sem merecimento.

O campeonato é uma várzea porque pela incapacidade dos organizadores em identificar e punir marginais, pessoas de bem não podem levar bandeiras e papel picado para deixar a festa mais bonita.

Aliás, o campeonato é uma várzea porque resolveram proibir papel picado sem uma razão qualquer, simplesmente proibiram, sem dizer qual o risco que um rolo de papel higiênico representa a integridade física dos espectadores.

O campeonato é uma várzea porque existe censura às faixas de protesto, ferindo o direito constitucional da liberdade de expressão em defesa da pose dos cartolas que gerem o nosso mesquinho mundo da bola.

O campeonato é uma várzea porque os gramados, a exceção dos florianópolitanos e de Criciúma, são terrenos baldios. Aí o meu time faz um puta investimento para contratar o Pedrinho, ele fode o joelho em Timbó e se aposenta. Aí o Avaí faz um puta investimento no Sávio, ele fode o joelho em algum outro pasto, e já não serve mais. Os dois são craques, não há o que se discutir. Sim, os dois tinham históricos de lesão. Não, eles não teriam se machucado num gramado decente.

O campeonato é uma várzea porque não é possível fazer um investimento na montagem de um time de verdade, arriscando boas contratações, nomes de peso a sofrerem lesões em gramados como os que citei acima e ver altos salários encostados por tempo indefinido nos nossos DM’s.

O campeonato é uma várzea porque o público não vai ao estádio (ok, o do Avaí não vai em campeonato nenhum mesmo, então talvez não faça diferençapara eles), e para equilibrar as receitas com as despesas, os clubes montam times ruins e passamos o campeonato estadual inteiro vendo lateral que não sabe cruzar, zagueiro que não sabe sair jogando, volante com medo de marcar, atacante que erra gol embaixo da trave, meio campo que erra passe de 2 metros e rezando para que às vésperas dos campeonatos nacionais, ainda tenha sobrado algum jogador razoavelmente decente no mercado da bola

O campeonato é uma várzea porque economicamente ele é prejuízo na certa para os times que têm maiores ambições ao longo do ano, como Copa do Brasil, série B e série A. A bilheteria é fraca, o repasse da TV é pouco, as cotas de patrocínios são minguadas, logo, para o Atlético de Ibirama é um sonho lindo enfrentar o Figueira ou o Avaí, para nós é um prejuízo danado.

Os campeonatos estaduais são fórmulas falidas, competições de baixíssimo nível técnico que existem para sustentar Federações e times pequenos. O Corinthians pagou 40 milhões no Pato para encarar o Boca Juniors na Libertadores, não a Penapolense no paulista, tanto quanto o Botafogo não mantém o Seedorf pensando no clássico regional contra oQuissamã, Resende ou Audax.

Por mim, o estadual acabava de vez, mudava para algo diferente. Seria muito legal se tivéssemos a Sul-Minas, por exemplo. Pega os quatro maiores de cada estado, quatro grupos de quatro, um de cada estado em cada grupo, dois melhores de cada grupo se classificam, depois quartas de final, semifinal e final, tudo mata-mata. Aí sim, atrai público, patrocinador, bons jogadores, bons campos e mais emoção.

Hoje, nosso calendário sacrifica a pré-temporada das equipes, nosso estadual com dez times participando com turno, returno, semifinal e final, consome 22 datas para realização das partidas.

Numa Sul-Minas com dezesseis equipes – 4 de cada um dos estados – divididas em quatro grupos numa fase de ida e volta dentro de cada grupo, depois quartas de final, semifinal e final no mata-mata ida e volta, seriam 12 datas, com a substancial diferença de que haveria bem mais gente para assistir um Figueirense X Atlético Mineiro, do que um Figueirense X Atlético de Ibirama. Como você está se dando ao trabalho de ler esta análise, é provável que assim como eu, quando você vai ao estádio, vai para assistir o Figueira, e não o adversário. Mas sabemos que a maior parte não é assim, fica sempre no sofá de casa esperando o jogo bom para tocar para o estádio. Numa Sul-Minas, todo jogo é jogo bom. O adversário é bom de ver, e a partida estadual será sempre contra um adversário tradicional.

Ah, e os outros times do estado?

Bom, reformula o estadual, faz uma competição entre os times que não estiverem na Sul-Minas, e depois cruza os quatro melhores dessa competição, com os quatro designados para a Sul-Minas, e se cruzam só em abril/maio em fase mata-mata, ida e volta, e deu, sem essa de turno, returno, todo mundo contra todo mundo. Seriam mais 6 datas – todas mata-mata, totalizando 18 jogos entre Sul-Minas e Estadual. Dois campeonatos mais dinâmicos e atrativos, com 4 datas a menos do que o modelo atual, o que significa um maior período para preparação dos times no início do ano. Ou então, esse novo campeonato estadual serviria para garantir uma ou duas vagas na Sul-Minas do ano seguinte. Emoção, renda e algum sentido.

Fato é que do jeito que está, é e continuará sendo sempre uma puta duma várzea, a fórmula é fraca, falida e só interessa aos nanicos do estado. Para os nossos times é prejuízo. Serve só para o sarro entre nós, alvinegros e azurras,que somos a única verdadeira rivalidade do estado, mas é pouco para o potencial que existe.

Tu podes achar que o estadual é clássico, a rivalidade local é linda, é mais charmoso, romântico e tal. Mas carro que pegava girando manivela na frente, também é bem charmoso, mas totalmente ultrapassado.

Saudações Alvinegras!